O administrador da EDP, Ferreira da Costa, considerou esta terça-feira que "está completamente ultrapassada" a questão do risco de desclassificação do Douro Património Mundial devido à construção da Barragem de Foz Tua.
O início da construção do Aproveitamento Hidroelétrico de Foz Tua levou a UNESCO, numa primeira fase, a incluir o Alto Douro Vinhateiro (ADV) na lista do património em risco.
A UNESCO queria a suspensão do projeto, mas o Estado português conseguiu um abrandamento do ritmo da obra até a realização de uma nova missão da organização ao Douro e ao Tua, que decorreu no verão do ano passado.
Em junho, o Comité do Património Mundial aprovou uma deliberação que compatibiliza o ADV com a barragem, exigindo, no entanto, medidas de salvaguarda do bem classificado.
"Esta questão está totalmente ultrapassada, isto é, em junho, o ADV foi retirado da lista do património mundial em risco, o que significa que é monitorado todos os anos, tal como todo o património em todo o mundo é monitorado pela UNESCO/ICOMOS, mas já não corre risco", afirmou hoje António Ferreira da Costa, no decorrer de uma visita à obra, em Foz Tua.
O empreendimento hidroelétrico inclui ainda a construção de uma linha de muito alta tensão, cujo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) foi, no final de agosto, enviado pela EDP ao Estado português que, por sua vez, o remeteu para a UNESCO.
A organização internacional solicitou precisamente o acompanhamento de todo este processo.
A EDP garante que vai continuar a informar a UNESCO sobre o EIA, enquanto o Estado complementará com as medidas de gestão que são necessárias para uma zona classificada.
"Não vemos que, a partir deste momento, esteja mais em questão a classificação", salientou.
Ferreira da Costa referiu que a UNESCO já se pronunciou sobre as alternativas de traçado apresentadas no EIA, acrescentando que a proposta que a organização considerou que deveria ser privilegiada está incluída nesta lista.
Por isso mesmo, Ferreira da Costa considerou que a "questão do risco está completamente ultrapassada".
O EIA propõe quatro alternativas de traçado, a de Foz Tua (30 quilómetros), Valeira (40 quilómetros), Torre de Moncorvo (32 quilómetros) e Régua (42 quilómetros).
A consulta pública deverá decorrer em dezembro e a emissão da Declaração de Impacto Ambiental (DIA) está prevista para março de 2014, para que a montagem esteja concluída até ao final de 2015.
A barragem deverá entrar em funcionamento em setembro de 2016, com um atraso de 10 meses devido ao abrandamento do ritmo dos trabalhos no terreno.
