
Protesto dos clientes lesados do BES em Coimbra
SERGIO AZENHA / LUSA
A Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial do Grupo Espírito Santo revelou que "alguns associados" têm sido notificados para comparecer em esquadras da PSP, após terem integrado protestos.
"Há aqui uma manifesta intimidação dirigida a idosos, muitos deles com baixa literacia", disse à agência Lusa, em Coimbra, o vice-presidente da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) do Grupo Espírito Santo (GES), Alberto Neves.
O mesmo dirigente, que falava durante mais uma manifestação daquela associação, repudiou o que considera ser "uma violação do Estado de Direito" por parte das autoridades policiais.
Na semana passada, o Novo Banco disse que as iniciativas de protesto dos lesados põem "em causa o funcionamento dos serviços" da instituição financeira ou visam "atingir a sua reputação", advertindo que poderá "adotar as medidas legais que se mostrem adequadas a tais comportamentos, para além de continuar a apoiar, sem restrições, os seus colaboradores, nomeadamente os que são ameaçados".
No mesmo dia, 6 de maio, a AIEPC aconselhou a administração do Novo Banco a "gastar o seu tempo a resolver os problemas dos clientes" e não a produzir o que classificou como "faits divers".
Cerca de 150 cidadãos lesados pela compra de papel comercial do BES exigiram esta quinta-feira, em Coimbra, ser ressarcidos das suas perdas financeiras, prometendo fazer a mesma reclamação ao futuro comprador do Novo Banco.
"Vamos fazer o mesmo" aos futuros donos do Novo Banco e "vamos pôr-lhes os olhos em bico se já não os tiverem", afirmou, numa ironia à possibilidade de o comprador ser oriundo da República Popular da China.
A 3 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado 'banco mau' (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.
