Bronze para Mascarenhas
Bruno Mascarenhas foi o primeiro português a conquistar uma medalha de bronze olímpica no remo...com a camisola da Itália. A proeza aconteceu ontem, na pista de Schinias, onde o quarteto transalpino de shell ligeiro de que fez parte terminou em terceiro a regata final ganha pela Dinamarca.
O remador nascido em Lisboa há 23 anos cumpriu assim mais um objectivo importante, depois de ter optado definitivamente por defender as cores italianas, na sequência do desinteresse manifestado pelos responsáveis da Federação Portuguesa de Remo, mesmo depois de Bruno ter ganho para Portugal, em 1999, juntamente com Artur Antunes, a prova de double-scull júnior no Mundial da Bulgária.
Ontem, o medalhado português, que vive em Roma desde os nove anos e adquiriu o passaporte italiano e todos os direitos para ser atleta do país mediterrânico em 2002, deu mais uma bofetada de luva branca nas águas olímpicas de Atenas2004, onde o remo português não teve entrada.
Fica-nos a consolação de Bruno não ter-se esquecido na hora da subida ao pódio de imaginar que a bandeira portuguesa também lá estava, a flutuar no mastro da glória, como fez questão de prometer ao JN, nas vésperas da prova.
Bruno Mascarenhas, que continua a sentir-se mais português do que italiano atingiu o ponto mais alto da carreira desportiva, uma rota que poderia ter um sabor genuinamente lusitano se a hierarquia do remo português, na altura certa, não tivesse naufragado...
O último dia do remo consagrou a romena Elisabeta Lipa, agora também no pedestal da eternidade, ao igualar o lendário e britânico Steve Redgrave no topo da hierarquia da modalidade, depois de ter conquistado a sua quinta medalha de ouro olímpica na prova de shell de oito, liderada de princípio a fim pela tripulação do país balcânico, à frente dos Estados Unidos (prata) e da Holanda (bronze).
Também a alemã Kathrin Boron se aproximou das figuras lendárias da modalidade, ao ganhar a final de quadriscull. A bancária germânica, que completa 35 anos em Novembro, transformou-se assim numa referência incontornável do remo olímpico, depois de ter passado a linha de chegada à frente das tripulações britânica (segunda) e ucraniana (terceira).
As romenas Constanta Burcica e Angela Alupei conservaram o título olímpico de double-scull, garantindo a terceira medalha de ouro para o seu país, único a conquistar três títulos - todos em femininos - nos Jogos de Atenas2004.
Os EUA obtiveram nesta última jornada a única medalha de ouro, ao ganharem a prova de shell de oito, 40 anos depois do último título na disciplina, superando a surpreendente Holanda (tripulação formada só este ano) e a Austrália. A Alemanha e a Grã-Bretanha foram os que conquistaram mais medalhas (quatro cada), enquanto a Roménia, a Austrália, a Itália e a Holanda subiram ao pódio em três ocasiões.
Diva romena tem a farda à sua espera
"Foi a minha última regata", anunciou Elisabeta Lipa, minutos depois de ter conquistado a quinta medalha de ouro olímpica, na prova de shell de oito. "Ganhei cinco medalhas de ouro em seis Jogos Olímpicos e estou muito feliz. Esta última dedico-a a mim própria", exultou a remadora romena do século, que diz adeus à modalidade dois meses antes de completar 40 anos (26 de Outubro), para retomar a sua profissão de polícia em Bucareste, onde estudou ecologia na universidade. Ontem, em Atenas, Elisabeta cativou um lugar no Olimpo.
