OHotel Tomilho, que até dia 29 se localiza na Casa d'os Dias da Água, à Estefânia, em Lisboa, não é um hotel qualquer. É um espectáculo de teatro em que os espectadores são hóspedes por uma noite virtual, com direito a pequeno-almoço e tudo.
No Hotel Tomilho nem tudo o que parece é. Portanto, nada garante que a refeição tenha os sabores sugeridos pelo que os olhos vêem colocado no prato ou na chávena. Os recepcionistas da casa não são portugueses, mas antes uns belgas simpáticos que falam Flamengo com os hóspedes. Eles são os donos e filhos da antiga dona da casa, Maria Tomilho, tragicamente morta num incêndio que deflagrou no seu quarto, no último andar. Os herdeiros não se importam que os hóspedes dêem uma vista de olhos ao espaço calcinado onde o cheiro a fumo ainda persiste.
Pelo caminho, os hóspedes recém-chegados podem também cheirar os diferentes aromas dos lençóis do hotel, pendurados em estendais, numa das dependências da casa. Portanto, o melhor é estar preparado e reservar uma noite neste singular hotel com gestão partilhada entre a Companhia Laika ( da Bélgica) e pelo Teatro Regional da Serra de Montemuro.
O espectáculo, que foi produzido, no ano passado, no âmbito de uma residência proporcionada pelo projecto Percursos, desenrola-se, nesta versão, nos 13 quartos da casa da Rua D. Estefânia, 175. Em cada um destes compartimentos, há uma personagem que conta uma história. O público (o Hotel Tomilho tem capacidade para 120 "hóspedes") recebe à entrada uma mala de viagem e é desafiado "a descobrir os cantos à casa".
"Esta é outra maneira de pensar o teatro e de pensar na relação com o público", diz, a propósito, Giacomo Scalisi (consultor de teatro do CCB).
"Hotel Tomilho" lança um desafio sobre o verdadeiro sentido da arte no momento actual, sobre a sua relação com a língua, a cultura, as pessoas e os sítios. Nele convivem referências fortes da cultura flamenga e da cultura portuguesa".
O espectáculo, co-produção do Laika, do Teatro Regional da Serra de Montemuro e do CCB, estará em cena dias 20, 21, 22, 23, 25, 27 e 28, às 21 horas, e nos dias 26 e 29, às 5 da manhã. Os bilhetes estão à venda no CCB e, uma hora antes do início do espectáculo, na Casa d'os Dias da Água.
