A obra integral da fadista Maria Teresa de Noronha, incluindo as suas primeiras gravações para a etiqueta Rouxinol, é amanhã posta à venda, numa edição especial acompanhada de um 'booklet' com a resenha da carreira da artista e vasta iconografia, praticamente desconhecida e até inédita.
As pesquisas realizadas levaram à descoberta "numa antologia francesa de uma gravação de um fado menor de que se desconhecia absolutamente", revelou Jorge Mourinha, coordenador do projecto que conta, além das gravações, com um preciso 'booklet' que conta com textos do musicólogo Rui Viera Nery, seu afilhado, e do jornalista Miguel Francisco Cadete, além de testemunhos de familiares e amigos, nomeadamente José Pracana e do seu sobrinho Vicente da Câmara.
Entre as raridades agora trazidas a lume estão os discos em 78 rotações da fadista para a célebre etiqueta Rouxinol, da empresa Custódio Cardoso Pereira.
A publicação desta integral da criadora de "Fado da defesa" (José António) integra gravações feitas para a desaparecida etiqueta Alvorada e ainda o seu último programa na Emissora Nacional e a participação na homenagem a Alfredo Marceneiro, realizada em Maio de 1963, no Teatro São Luiz, em Lisboa.
Do programa de despedida da Emissora Nacional, realizado em Janeiro de 1963, registam-se "Fado Hilário" (Augusto Hilário), "Fado Anadia" (Marques Santos/Popular) e "Fado verdade" (António de Bragança/Joaquim Campos).
Maria Teresa de Noronha gravou essencialmente para editora EMI- Valentim de Carvalho a partir de 1963, "quando praticamente se retira". Nesta data, a fadista decide abandonar as casas de fado e os espectáculos, orientando a sua carreira quase em exclusivo para as gravações em estúdio.
Luís de Castro que também conheceu a fadista, salientou à agência Lusa "o cuidado que a fadista colocava na escolha das letras" e afirmou que, "pela sua voz ímpar, definiu um estilo muito próprio na forma de apresentar o fado".
* com Lusa
