Carlos Xistra, árbitro do Benfica-Estrela da Amadora, e Pinto da Costa, presididente do F. C. Porto estiveram ontem debaixo de fogo cerrado de Luís Filipe Vieira e José Veiga, o presidente e o director geral da SAD do Benfica. Os alegados erros do juiz - expulsão de Miccoli, sobretudo - e a sua influência na deslocação do plantel benfiquista ao Dragão centraram as críticas dos dirigentes encarnados.
"Foi uma péssima arbitragem, infelizmente do nível que nos habituou. Aliás, os últimos jogos que fez do Benfica foram polémicos, só que este ultrapassou todos os limites. E não foi por acaso que foi na véspera de um Porto-Benfica", destacou José Veiga, confirmando a exposição que SAD enviará à Liga de Clubes.
Alegando plena confiança na capacidade de Vítor Pereira, novo presidente da Comissão de Arbitragem, o dirigente assume que a equipa não deseja voltar a encontrar o juiz de Castelo Branco.
"Não andamos aqui a dormir. Provavelmente talvez se tenha andado assim nos últimos anos, mas neste momento as pessoas são capazes de ter azar pois não aceitamos "grupos" destes . Carlos Xistra não é uma surpresa. Pedimos que não o nomeiem nos próximos jogos e que não o façam mais para os jogos do Benfica. O seu passado não pode ser escondido e é só puxar pela memória e ver as suas últimas arbitragens nos nossos jogos", destacou.
O dirigente lembrou ainda que a SAD analisará a classificação do observador e espera que esta não "branqueie" a "péssima" exibição. "De zero a dez, dava-lhe um", acentuou.
Com o clássico no Dragão no horizonte, José Veiga admitiu "preocupação" pelo histórico que habitualmente envolve os adversários na semana antecedente em que existe sempre "expulsões e amarelos".
"Não sei, nem quero saber quem é o árbitro de sábado. Será nomeado amanhã (hoje) e haverá por certo algo que nunca irei fazer que é convidá-lo para tomar café em minha casa ou beber um uísque. Nunca o fiz, nem nunca o farei, ao contrário de outras pessoas que o têm feito e provavelmente continuam a fazê-lo", referiu. Instado a nomear os visados, o responsável foi esclarecedor "É quem vocês pensam, o presidente do F. C. Porto. Então não esteve em casa com um árbitro a tomar café a 24 horas de um jogo importante? Eu nunca o farei", lembrou.
Mais tarde, na assembleia geral, Luís Filipe Vieira falou mesmo em "actuação premeditada do árbitro para prejudicar o Benfica". "Mostrar 18 cartões num jogo é um hino à estupidez", disse o presidente, lembrando que não pôde deslocar-se ao estádio, por estar com uma gripe, mas explicando que "ver o jogo pela TV e assistir às repetições reforça mais a ideia de premeditação do árbitro".
"Não me venham dizer que tudo não passou de um percalço. Quem o fez sabia o que estava a fazer e para quem o fazia", referiu o presidente benfiquista, vincandio que "se torna claro que há corrupção no futebol português".
