
Luís Filipe Coito / Global Imagens
O que há muito se temia na pequena localidade de A-dos-Pretos, em Maceira, Leiria, aconteceu segunda-feira, ao final do dia. Pedro Cipriano, de 45 anos, conhecido pelo "Pedro Maluco", disparou três tiros de caçadeira à queima-roupa e matou Ilídio Faria Pedro, de 73 anos.
Após o crime, o alegado homicida pôs-se em fuga, obrigando a GNR a montar uma autêntica caça ao homem. Duas horas e meia depois, foi apanhado num pinhal, a cerca de 500 metros de casa sem oferecer resistência.
O homicídio ocorreu cerca das 19 horas. Ilídio Pedro andava a lavrar um terreno, de trator, quando foi surpreendido pelo suposto agressor, que o atingiu com um tiro à queima-roupa. Após o primeiro disparo, a mulher da vítima ainda tentou tirar a arma ao homicida, mas este empurrou-a e disparou mais duas vezes.
Em seguida, fugiu a pé e levou a arma. Chegou a pensar-se que estaria barricado em casa, com a mulher e a filha, mas depois da GNR ter verificado que havia deixado o carro, as chaves e o telemóvel na habitação, foram acionadas várias patrulhas e dezenas de operacionais que se espalharam pelas imediações.
Cerca de 21,30 horas chegava a notícia que tinha sido apanhado num pinhal. "Enquanto estávamos a desenvolver a busca, encontrámos na área florestal, a cerca de 500 metros da sua residência, o suspeito, deitado no chão, no meio da vegetação, com a arma [calçadeira], que estava aberta", adiantou à agência Lusa o relações públicas do Comando Territorial de Leiria da GNR, tenente-coronel Carlos Ramos.
A informação foi acolhida com alívio por moradores e familiares da vítima. "Eu já estava há espera disto há mais tempo, ou ele fazia a alguém ou alguém lhe fazia a ele", disse, ao JN, Marco Silva, um dos muitos populares que se concentrou no limite do perímetro de segurança criado pelas autoridades.
O temperamento agressivo de Pedro Cipriano era conhecido de todos. Sem ocupação profissional fixa, "implicava com tudo e com todos e as pessoas já evitavam ter discussões com ele", adiantou o morador, revelando que até já o tinham proibido de entrar "no clube da terra".
Com a vítima, as desavenças já eram antigas. Segundo João Esteves, genro de Ilídio, há algum tempo o agressor tinha disparado uns tiros contra o portão do sogro. O caso foi para tribunal e, na sequência disso, a GNR apreendeu-lhe várias armas de fogo. Há 15 dias, voltaram as ameaças. João Esteves ponderou queixar-se às autoridades, caso as ofensas se repetissem. Ontem, o agressor passou das palavras aos atos.
A investigação ficou a cargo da PJ de Leiria.
