O cidadão luso-brasileiro Raul Schmidt, detido, esta segunda-feira, em Lisboa, será ouvido por um juiz do Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) sobre o pedido de extradição das autoridades brasileiras, emitido no âmbito da Operação Lava Jato.
Raul Schmidt, sócio de um antigo diretor da Petrobras, foi detido hoje de manhã em Lisboa pela Polícia Judiciária (PJ), por suspeitas de corrupção e branqueamento, no cumprimento de uma carta rogatória da Operação Lava Jato, que investiga crimes económico-financeiros no Brasil.
Em comunicado, a PJ explica que "o detido foi investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal do Brasil por ter agido como intermediário de operações da Petrobras que levaram ao recebimento indevido de comissões no valor de vários milhões de reais".
A operação de hoje teve a participação de 14 elementos da PJ, um procurador da República, um juiz, bem como o procurador Diogo Castor Mattos, que faz parte da equipa de investigação no Ministério Público Federal brasileiro, e dois elementos da Polícia Federal do Brasil.
Segundo fonte do TRL, o detido tem 48 horas para se apresentar ao juiz desembargador de turno naquele tribunal superior e ser-lhe-á feita apenas uma pergunta: se aceita o pedido de extradição feito pelas autoridades judiciárias brasileiras.
Caso a resposta seja negativa, explicou a fonte, "o juiz dá ao detido no mínimo cinco dias, mas normalmente dez", para que este fundamente, por escrito e através de um advogado, a sua negação à extradição.
Depois, adiantou a mesma fonte, haverá lugar à oposição do Ministério Público a esses fundamentos e segue-se um julgamento no TRL.
Caso o detido aceite o pedido de extradição das autoridades brasileiras, cumpridas as formalidades, viaja para o Brasil, acompanhado por elementos policiais.
O Brasil pediu hoje a Portugal que a decisão sobre a data da extradiçãor seja tomada em dois dias.
"Eles pediram que fosse decidido em 48 horas, como ele estava foragido, para que ele venha para o Brasil o quanto antes", disse à agência Lusa a assessoria do Ministério Público Federal de Curitiba.
