
Os organizadores do prémio Quadriga, na Alemanha, anunciaram este sábado que desistiram de entregar o prémio da edição deste ano ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, depois de uma onda de protestos contra a distinção.
Segundo a organização, esta decisão foi motivada pelas críticas massivas nos meios de comunicação e no mundo político que recebeu desde que anunciou que o governante russo era o distinguido em 2011.
A atribuição do prémio Quadriga ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, no Dia da Reunificação Alemã, gerou protestos entre os membros do conselho curatorial, que já levaram à demissão de um dirigente político e um cientista.
O prémio Quadriga, subsidiado com fundos estatais e privados, tem sido atribuído anualmente, desde 2003, pela Werkstatt Deutschland, uma instituição de utilidade pública com sede em Berlim, a personalidades nacionais e internacionais que se distinguiram pela defesa da liberdade, da democracia e dos direitos humanos.
O historiador Edgar Wolfrum anunciou hoje a sua demissão do conselho, alegando ser "inaceitável que alguns membros fiquem comprometidos com decisões com as quais não concordam, sobre as quais não foram informados e que conheceram através da imprensa".
No princípio da semana, o presidente do partido ambientalista Os Verdes, Cem Ozdemir, também já tinha anunciado a sua demissão do conselho curatorial do prémio Quadriga, por discordar da escolha de Putin para receber o galardão, em cerimónia solene marcada para 03 de outubro, em Berlim.
A porta-voz do grupo parlamentar democrata cristão para os direitos humanos, Erika Steinbach, juntou-se hoje aos protestos contra o político russo, afirmando que o conselho "também podia ter escolhido o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad, o líder evolucionário cubano Fidel Castro ou a direção do partido comunista chinês".
Steinbach acrescentou que "embora Putin não seja equiparável aos nomes referidos, a sua nomeação para receber o prémio Quadriga é um corte muito incisivo com a respetiva tradição".
Entre os laureados estão o presidente da Comissão Europeia, Durão Barros, o ex-chanceler alemão Helmut Kohl e o ex-presidente checo Vaclav Havel.
Outros distinguidos foram o ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchev, o presidente do eurogrupo, Jean-Claude Juncker, o presidente israelita Shimon Peres e o músico britânico Peter Gabriel.
