
Laura Pollan foi uma das principais vozes da Oposição de Cuba. A líder das Damas de Branco esteve profundamente envolvida na promoção da mudança na ilha comunista. "Esta luta vai continuar. Laura fisicamente não está connosco, mas espiritualmente sim".
A prisão do marido, Héctor Maseda, em Março de 2003, com outros 74 opositores, transformou Laura Pollan numa das principais figuras de resistência à ditadura cubana. Largou o emprego como professora de Literatura para liderar as mulheres que, todos os domingos, caminhavam pelas ruas de Havana até à igreja de Santa Rita, pedindo a libertação dos maridos. "Nós, Damas de Branco, não podemos fazer mais do que caminhar e pedir a liberdade de nossos maridos, filhos, amigos", declarou uma vez.
O movimento pacífico, mas muitas vezes reprimido pela Polícia, recebeu o Prémio Sakharov dos Direitos Humanos, do Parlamento Europeu, em 2005.
Foram sete anos de caminhadas até que, no ano passado, num acordo intermediado pela Igreja e com Espanha, Cuba aceitou libertar grande parte dos dissidentes. A resistência de Héctor Maseda em deixar o país acabou por atrasar a sua libertação. Só saiu da cadeia em Fevereiro deste ano.
Laura tinha 63 anos, era diabética e hipertensa. Na semana passada, foi hospitalizada devido a insuficiência respiratória. Morreu anteontem, em Havana.
"Pollan e a silenciosa dignidade das Damas de Branco deram voz, de forma valente, ao desejo dos cubanos e de todo o Mundo de viver em liberdade", afirmou, ontem, o presidente Obama.
