
Regime de Bashar al-Assad rejeita culpas
Mohammed Salem/REUTERS
O regime sírio acusou, esta quinta-feira, "grupos armados" de serem responsáveis pelo massacre de Houla, no qual mais de cem pessoas morreram, e criticou as Nações Unidas por aludirem a uma "guerra civil catastrófica" no país.
O general Qasem Yamal Suleiman, chefe da comissão oficial de investigação sobre o massacre, que apresentou o resultado do inquérito numa conferência de imprensa em Damasco, rejeitou as acusações de que os civis foram mortos por tropas do regime do presidente sírio Bashar al-Assad e por milícias suas aliadas.
"O local do massacre fica longe das posições das forças de segurança", realçou Suleiman, citado pela agência AFP.
"A maioria dos assassinados pertenciam a famílias pacíficas, que não queriam unir-se aos grupos armados nos seus atos", assinalou o general, destacando que "um grande número de cadáveres pertencem a terroristas, que morreram nos combates com as forças da ordem".
Porém, as Nações Unidas consideram que o massacre de Houla, ocorrido na sexta-feira, tem o carimbo do regime e das milícias pró-governamentais ("shabiha"). Segundo a ONU, morreram 108 pessoas no episódio, incluindo 34 mulheres e 49 crianças.
Na mesma conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio, Jihad Makdisi, criticou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por se referir a um conflito entre o povo e o regime.
"É lamentável que o secretário-geral da ONU tenha abandonado a sua missão de manter a paz e a segurança no mundo para ser um mensageiro de guerras civis", criticou, citado pela agência AP.
Ban afirmou hoje que massacres do género do que aconteceu em Hula "podem conduzir a Síria a uma guerra civil catastrófica, da qual o país pode nunca recuperar".
O porta-voz do regime sírio rejeitou igualmente qualquer implicação do regime no massacre de Houla, prometendo julgar os responsáveis.
Condenado por toda a comunidade internacional, o massacre de Houla tem motivado a expulsão de embaixadores sírios um pouco por toda a Europa e também na Austrália, Canadá, Estados Unidos e Japão.
Hoje, o Governo português declarou "persona non grata" a embaixadora da Síria acreditada em Portugal, Lamia Chakkour, residente em Paris e expulsa por França.
Apesar de tanto o regime como a oposição sírios terem aceitado o plano do mediador da ONU, Kofi Annan, para resolver o conflito, que impõe um cessar-fogo desde 12 de abril, a violência persiste no país, com episódios diários.
Estima-se que já tenham morrido mais de dez mil pessoas desde o começo da revolta contra o regime, há mais de um ano.
