
Há quase dois meses que se registam diariamente protestos em várias regiões da Venezuela
JUAN BARRETO/AFP
O Governo dos Estados Unidos anunciou que adiou a análise de uma proposta de Caracas para retomar as relações bilaterais e permitir o regresso do embaixador venezuelano a Washington, para não haver "distrações" sobre os problemas do país.
"Sentimos muito fortemente que não se trata da relação bilateral entre os EUA e a Venezuela, e portanto, não vamos atuar ainda para permitir um embaixador venezuelano nos Estados Unidos", disse a secretária de Estado adjunta Roberta Jacobson, responsável para a região da América Latina.
Roberta Jacobson afirmou, durante uma intervenção no Congresso norte-americano, que, para o Presidente dos EUA, Barack Obama, a tensão originada pelas manifestações que desde há dois meses ocorrem diariamente na Venezuela é um assunto interno e qualquer ação só serviria para "distrair" a atenção do problema principal do país.
"Acreditamos que a ação tem que dar-se na Venezuela, onde os venezuelanos devem dialogar uns com outros", enfatizou a secretária de Estado adjunta.
Por outro lado, disse que os EUA estão "a fazer tudo o que podem para facilitar esse diálogo, sem permitir a distração de acusações" contra Washington.
Em fevereiro, o ministro venezuelano de Relações Exteriores, Elías Jaua, anunciou que a Venezuela designaria Maximilian Arveláez (ex-embaixador venezuelano no Brasil) como novo representante nos EUA.
A nomeação seria "uma mensagem clara" do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de restabelecer as "relações diplomáticas de entendimento franco, sincero e honesto".
Há quase dois meses que se registam diariamente protestos em várias regiões da Venezuela que resultaram, de acordo com dados oficiais, em 39 mortos, 608 feridos, 81 denúncias de alegadas violações de Direitos Humanos e avultados danos materiais.
Na terça-feira, o Governo do Presidente Nicolás Maduro e a coligação de oposição MUD chegaram a um acordo para iniciar um diálogo formal, que terá como "facilitadores" o Vaticano, o Brasil, o Equador e a Colômbia.
