
Poucos viram inocência neste gesto
REUTERS
Oferecer o casaco a uma senhora com frio faz parte das regras do cavalheirismo, mas quando o solteiro Vladimir Putin oferece uma capa para proteger a primeira-dama da China, as coisas podem azedar um pouco mais: as autoridades chinesas não gostaram do gesto e o registo do momento foi censurado. Veja o vídeo.
O episódio aconteceu na segunda-feira à noite, em Pequim, quando vários líderes mundiais se preparavam apara assistir a fogo de artifício, durante a cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC). Putin coloca uma capa sobre o ombros de Peng Liyuan, mulher do presidente chinês Xi Jinping, que gentilmente aceita a oferta mas que, pouco depois, a deixa cair e a entrega a um funcionário.
O momento foi transmitido em direto pela televisão chinesa e tornou-se, durante a noite, num fenómeno viral nas redes sociais, com várias partilhas e uma hashtag baseada nas palavras que o comentador proferiu durante a emissão em direto: "O presidente Putin pôs um casaco em Peng Liyuan".
Durante a noite, grande parte dos registos foram apagados das redes sociais e dos meios de comunicação do país pelas autoridades, revela a CNN, afirmando que as ligações já não conduziam ao conteúdo que estava a ser disseminado na Internet.
[Youtube:QLJKVETVF6Q]
Segundo um analista contactado pela "Newsweek", a cultura chinesa é ainda bastante conservadora no que respeita ao contacto entre pessoas de sexos diferentes. A censura das imagens será então uma forma de evitar piadas sobre a mulher do líder do país.
Órgãos de comunicação social de todo o mundo estão a destacar o incidente, mas fazem leituras bem mais profundas sobre este gesto, que se pode entender apenas como de simpatia.
"Putin atira-se à primeira-dama da China", afirma a "Foreign Policy" e a CNN considera que a oferta da capa foi "um avanço" do político russo. Já o espanhol "El Mundo" destaca que Putin está solteiro e que este foi mais um passo para mostrar as "suas artes sedutoras". Certo é que poucos viram inocência no gesto que os responsáveis chineses entenderam não comentar.
