
Antonio Bronic / Reuters
A antiga ministra dos Negócios Estrangeiros Kolinda Grabar Kitarovic (conservadora) foi, domingo, eleita Presidente da Croácia, na segunda volta das presidenciais, quando estão contados 99,3% dos sufrágios, divulgou a comissão eleitoral central.
Kitarovic é a primeira mulher Presidente nos Balcãs eleita por sufrágio universal.
"Kolinda Grabar Kitarovic venceu uma luta democrática e felicito-a", disse, ao reconhecer a derrota, o Presidente cessante, o social-democrata Ivo Josipovic.
"Prometo que a Croácia será um país próspero e rico, um dos países mais desenvolvidos da União Europeia (UE) e do mundo", disse aos apoiantes a Presidente eleita, de 46 anos, de mão dada com o marido.
Grabar Kitarovic obteve 50,4% dos votos, contra 49,6% para Josipovic, de acordo com os resultados depois de contados 99,3% dos sufrágios, indicou a comissão eleitoral central.
No final da primeira volta, há duas semanas, Josipovic, de 57 anos, jurista de formação e compositor de música clássica, que se candidatou ao segundo mandato de cinco anos, venceu à justa a antiga chefe da diplomacia croata (2005-2008).
O resultado da primeira volta representou um duro golpe para Josipovic, candidato da coligação de esquerda no poder (SDP), que as sondagens davam inicialmente como grande favorito.
Antiga república jugoslava, independente desde 1991, a Croácia tornou-se, em 2013, o 28.º país-membro da União Europeia.
Primeiro ministra da Integração Europeia e depois dos Negócios Estrangeiros (2003-2008), Grabar Kitarovic ocupou o cargo de embaixadora em Washington até 2011. Em seguida, assumiu o posto de adjunta do secretário-geral da NATO (Organização do Tratado Atlântico Norte, em português) para as informações públicas, antes de se tornar Presidente da Croácia, quarta chefe de Estado eleita depois da independência da ex-Jugoslávia em 1991.
Política dinâmica, sempre sorridente, fez campanha sob o 'slogan' "Por uma Croácia Melhor", com um programa para relançar a economia vacilante do país, membro da UE desde julho de 2013 e em recessão quase permanente desde há seis anos.
"Nunca renunciei às minhas convicções e sempre tive os mesmos valores: a pátria e a família são a minha escolha de vida", declarou esta mãe, que descreve o marido como "papá de profissão". O casal tem dois filhos.
Filha de um talhante, Grabar Kitarovic nasceu numa aldeia, perto do porto adriático de Rijeka (noroeste). A diplomata lembra frequentemente as suas origens humildes e descreve com paixão a infância passada no campo.
"A minha mãe é a minha heroína. É o seu exemplo que alimenta as minhas ambições" na vida, afirma.
Grabar Kitarovic personifica a ala moderada da União Democrática Croata (HDZ, conservadores). Durante a campanha eleitoral, afirmou que daria o seu apoio caso um dos filhos se assumisse como homossexual e autorizaria a utilização de marijuana para fins medicinais.
Católica praticante, assegurou, sobre o aborto, que "cabe à mulher a decisão" de ter, ou não, uma criança.
