
O estado de Guerrero é um dos mais pobres do México, marcado pelo crime organizado
Jorge Dan Lopez/Reuters
A polícia mexicana lançou uma caça ao homem, em busca do dono do crematório abandonado onde foram encontrados 60 corpos, incluindo de crianças, deixados a apodrecer nas instalações de Acapulco, fechadas há um ano.
As autoridades descobriram corpos cobertos com lençóis brancos, alguns dos quais empilhados, na noite de quinta-feira, depois de alguns vizinhos das instalações terem alertado a polícia para o cheiro vindo do edifício do "Crematório do Pacífico".
Apaculco, um destino de férias em decadência, tem sofrido com a violência relacionada com o tráfico de droga, cujas vítimas são frequentemente encontradas nos arredores da cidade.
No entanto, a polícia adiantou que neste caso estava a investigar um macabro caso de fraude funerária, segundo a AFP.
Os corpos de homens, mulheres e crianças foram encontrados "perfeitamente embalsamados" no crematório, propriedade de um homem identificado como Guillermo Estua Zadai, segundo fontes da polícia.
"Não foi possível localizar o proprietário", declarou o procurador-geral do estado de Guerrero, Miguel Angel Godinez, em conferência de imprensa, acrescentando que as autoridades pediram apoio a agências federais e à Interpol para o encontrar.
De acordo com o procurador-geral do estado, este pode ser "um caso de fraude do proprietário das instalações contra as pessoas que pensavam que os restos mortais dos seus familiares seriam cremados".
Miguel Angel Godinez disse também que o crematório deixou de pagar impostos há três anos.
O estado de Guerrero é um dos mais pobres do México, marcado pela presença do crime organizado e por grande conflitualidade social.
A 200 quilómetros de Acapulco situa-se a cidade de Iguala, o município onde em 26 de setembro desapareceram 43 estudantes da Escola Normal (primária) de Ayotzinapa, após serem atacados por polícias locais corruptos que os entregaram ao cartel de narcotráfico Guerreros Unidos. Em confrontos prévios, tinham já sido mortos seis dos manifestantes.
Segundo o testemunho de alguns membros do grupo criminoso, entretanto detidos, os jovens foram assassinados e os seus corpos queimados numa lixeira da povoação vizinha de Colula.
Na quinta-feira, na autoestrada do Sol que liga Acapulco à capital federal mexicana, decorreu uma manifestação de milhares de pessoas para reclamar o regresso com vida dos 43 estudantes da Escola Normal de Ayotzinapa e exigir a retirada do exército do estado de Guerrero.
A marcha, que interrompeu por várias horas o trânsito numa das faixas, foi liderada pelos pais dos jovens desaparecidos, na maioria com idades entre os 18 e os 21 anos.
