Podemos e Ciudadanos ganham músculo na Andaluzia mas não derrubam "bipartidarismo"

Teresa Rodriguez, candidata do Podemos
Jon Nazca/Reuters
Os partidos emergentes em Espanha, o Podemos e o Ciudadanos, conseguiram no sábado quase 25% dos votos nas eleições autonómicas da Andaluzia, um resultado que, ainda assim, é insuficiente para decretar "a morte do bipartidarismo".
Na estreia em eleições para órgãos de soberania em Espanha, o partido de Pablo Iglesias conseguiu eleger 15 deputados na Andaluzia e o Ciudadanos, formação de Albert Rivera, obteve nove assentos. Numa primeira reação aos resultados os dois partidos decretaram a morte do bipartidarismo, afirmando que o PP perdeu mais de meio milhão de votos e o PSOE quase 100 mil.
É um facto que o vencedor das eleições, o PSOE, ganha sem maioria absoluta e vê-se forçado a acordos pontuais (ou de coligação) ao longo de um governo de minoria para conseguir aprovar orçamentos ou aprovar leis. No entanto, o PSOE manteve o número de deputados eleitos em 2012 (47), o que significa que o crescimento dos partidos emergentes fez-se à custa do PP.
O PP foi o partido mais votado nas autonómicas da Andaluzia em 2012 (obtendo então 50 assentos), mas nunca governou na maior e mais populosa região de Espanha. Afetado pelas políticas de austeridade do governo central de Mariano Rajoy e pelos muitos casos de corrupção a nível nacional (na Andaluzia esse lastro é do PSOE), os populares na Andaluzia perderam 17 assentos, ficando nos 33. É preciso recuar a 1990 para encontrar um resultado tão negativo para o PP na região.
Ou seja, face ao fator novidade do Podemos (segunda força política nas sondagens a nível nacional) e do Ciudadanos, a grande vitória da noite pertence ao PSOE e a Susana Díaz, pelo facto de ter conseguido aguentar (quase) o mesmo nível de votação de 2012, ter recuperado a posição de partido mais votado na Andaluzia e ter conseguido a primeira vitória do PSOE em quatro anos.
Quando Susana Díaz anunciou eleições antecipadas para a Andaluzia (as restantes autonómicas são em maio), os analistas em Espanha consideraram que poderia ser um desafio à liderança nacional do PSOE, atualmente com Pedro Sánchez.
A vitória de sábado (saudada por Sánchez a partir de Madrid, nas redes sociais), disse a candidata, "é indiscutível e histórica". Grávida de quatro meses, Susana Díaz poderá agora capitalizar o resultado na Andaluzia e esperar pelo momento certo para "atacar" Pedro Sánchez.
Quanto aos partidos emergentes, os resultados na Andaluzia são animadores, uma vez que a região é não só um bastião do PSOE como também uma das mais conservadoras e nacionalistas autonomias de Espanha. O Podemos conseguiu aqui mais de 590 mil votos e o Ciudadanos 368 mil, multiplicando muitas vezes a votação obtida nas europeias do ano passado.
Juntos, estes dois partidos obtiveram 25% dos votos, contra os 62% dos partidos tradicionais (PSOE e PP). Os emergentes contrapõem: há três anos o PSOE e PP juntos representavam 80% dos votantes.
A Andaluzia foi o primeiro teste do bipartidarismo frente aos emergentes. O PSOE aguentou o golpe, o PP caiu em força e os emergentes confirmaram as sondagens, mas fazendo tremer apenas um dos dois "históricos".
A 24 de maio haverá novo teste: eleições municipais e autonómicas em toda a Espanha (com exceção da Catalunha, cuja votação está marcada para setembro). E no final do ano, o exame final, com as eleições gerais (legislativas).
