
Barack Obama assume redução de emissões e Xi Jinping pede tempo aos países ricos
Le Bourget/Reuters
O primeiro dia da COP 21 de Paris ficou marcado pelos discursos de Barack Obama e Xi Jinping, vozes dos dois principais países poluidores do Planeta.
O presidente dos Estados Unidos assumiu "mea culpa" pelos danos ambientais e garantiu que não vai fugir às responsabilidades. O presidente chinês lembrou a forte aposta do seu país na economia verde e aproveitou para deixar o recado de que é preciso pedir apoio aos países ricos, enquanto a China se empenha na criação de energias limpas.
À participação portuguesa faltou o discurso de António Costa. A intervenção do primeiro-ministro não terá sido marcada a tempo pelo anterior Executivo. Estiveram ontem em Paris 150 chefes de Estado das mais diferentes latitudes, unidos pela preocupação de salvar o Planeta. O objetivo é limitar a subida da temperatura em dois graus até ao final do século (tendo como referência a era pré-industrial).
Francisco Ferreira, membro da equipa portuguesa presente na Cimeira do Clima, notou no discurso de Xi Jinping uma nuance em relação ao que tinha sido expresso no contributo inicial daquele país, entregue antes do arranque da conferência organizada pelas Nações Unidas. Faz parte do protocolo enviar de antemão o documento com as linhas mestras das promessas de cada país. Desta vez, foi dito que o pico das emissões de carbono na China seria atingido antes de 2030 - e é este "antes" que faz toda a diferença", sublinha. "Reflete um sinal de inversão. O que tinha sido dito é que seria atingido em 2030. Era a partir daí a redução".
Este aspeto ilustra bem o quanto podem ser complexas estas negociações, que vão decorrer até dia 11. Serão discutidos prazos, estratégias, referências de comparação. O argumento chinês tem de ser enquadrado na história. "A China é poluente há menos anos do que os Estados Unidos".
Já os Estados Unidos assumiram o compromisso de reduzir entre 26% e 28% das emissões de gases com efeito de estufa até 2025 (e tendo como termo de comparação 2005), confirmando os valores inscritos no seu contributo.
Xi Jinping declarou que "é imperativo respeitar as diferenças entre países". O responsável prometeu inclusive "trabalho árduo" para que "um novo caminho de modernização se faça em harmonia entre a Natureza e Homem" , defendendo a necessidade de "cooperação internacional na área das energias renováveis".
Obama deixou uma mensagem para os empresários. "Provámos que não há mais conflito entre um crescimento económico forte e proteção ambiental".
A presidente brasileira Dilma Rousseff anunciou medidas de reflorestamento, o congénere russo, Vladimir Putin, apelou a "um acordo vinculativo e justo" e Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, pediu aos presentes que não se fiquem por "meias-medidas".
A COP 21 abriu com um minuto de silêncio pelas vítimas dos recentes atentados terroristas. A luta contra o terrorismo e a luta contra as alterações climáticas são "dois grandes desafios mundiais que temos de enfrentar", disse o anfitrião francês, François Hollande.
