
O primeiro-ministro disse estar a ser vítíma de mais "uma provação" que visa derrubá-lo politicamente e escudou-se no comunicado da PGR, para reiterar que os alegados factos analisados por Londres são de 2005 e que "não há suspeitas fundadas".
Minutos antes do encontro com Cavaco Silva em Belém - com quem disse ainda não ter falado sobre o assunto - José Sócrates convocou os jornalistas para repudiar "a campanha negra orientada por poderes ocultos", que tem por base "notícias difamatórias" assentes em "fugas de informação selectivas e manipuladas que mais não fazem do que aproveitar e explorar a mesma carta anónima" que, em 2005, originou a notícia na campanha eleitoral.
Ontem, a revista "Sábado"noticiou que os ingleses consideram Sócrates suspeito e pediram aos investigadores nacionais, na carta rogatória enviada a 19 de Janeiro, informações sobre as contas bancárias do primeiro-ministro. A "Visão" adianta que a suspeita é de que tenha "solicitado, recebido ou facilitado pagamentos".
"Ninguém está acima da lei"
Às "acusações caluniosas", Sócrates contrapôs com o comunicado emitido cinco horas antes pela Procuradoria Geral da República (PGR) - "única autoridade competente para prestar esclarecimentos idóneos", disse.
A PGR refere não conter a carta rogatória recebida pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal "nenhum facto juridicamente relevante que acresça aos factos investigados pelas autoridades portuguesas". E garantiu que não há arguidos ou suspeitos no processo. "Ninguém está acima da lei, mas nenhum cidadão português pode ser considerado arguido, nem sequer suspeito, unicamente porque a polícia de outro país o coloca sob investigação com base em hipóteses levantadas e não confirmadas e que servem somente para justificar um pedido de colaboração", acrescenta a PGR.
A directora do DCIAP, Cândida Almeida, disse à Rádio Renascença que um vídeo que pode ser anónimo ou alvo de cortes e montagens não serve de prova numa investigação judicial em Portugal e, à SIC, que se não houver suspeitas, Sócrates não será ouvido.
Em S. Bento, o chefe de Governo garantiu não conhecer Manuel Pedro (da Smith &Pedro, empresa representante em Portugal da Freeport), que esteve na reunião no Ministério do Ambiente, solicitada pela autarquia de Alcochete, e que se passasse por ele na rua não o reconheceria.
Sampaio reage à polémica
Questionado se está disposto a mostrar as suas contas bancárias, respondeu que não se porá na posição de suspeito, mas que todos devem estar disponíveis para a Justiça. "Eu ainda mais porque sou primeiro-ministro". E reafirmou que a alteração dos limites da zona protegida do Tejo "cumpriu todas as normas legais".
Jorge Sampaio emitiu uma nota dizendo que só promulgava diplomas de um Governo de gestão (de Guterres, neste caso) "se os responsáveis do novo Governo não manifestassem a propósito quaisquer reservas ou objecções."
