O dirigente socialista Augusto Santos Silva retomou este sábado a tese "cavaquista" das forças de bloqueio, identificando como adversários do PS os conservadores de esquerda ou direita, caluniadores e autores de operações de perseguição política pessoal.
"Temos de combater e vencer democraticamente todos aqueles que querem substituir o debate das ideias e o confronto entre propostas por operações de perseguição política pessoal, de calúnia e difamação", declarou Augusto Santos Silva no segundo dia do congresso do PS, em mais uma alusão ao processo "Freeport".
Falando no período de discussão das moções de estratégia do PS, o ministro dos Assuntos Parlamentares trouxe à memória a tese de Cavaco Silva, quando era primeiro-ministro, sobre as forças de bloqueio em relação ao seu Governo.
"Temos de enfrentar e vencer politicamente todos os cúmplices dos bloqueamentos - e os cúmplices são as forças conservadoras de todas as matrizes, digam-se à esquerda, à direita ou à esquerda. Essas forças conservadoras preferem o imobilismo á mudança", disse o dirigente socialista.
Augusto Santos Silva caracterizou também como cúmplice do "imobilismo" uma cultura mediática "que se instalou e que nos convida à desistência, resignação".
Uma cultura que, segundo Santos Silva, "tudo pinta a negro e que silencia tudo o que significa mudança, iniciativa, talento e futuro no país".
O ministro dos Assuntos Parlamentares procurou também traçar uma linha de demarcação entre o PS e as outras forças de esquerda, designadamente o PCP e o Bloco de Esquerda.
"Somos da esquerda democrática e não autoritária. O nosso modelo não é a Coreia do Norte" mas a União Europeia, "que para nós não é uma organização militarista", apontou Santos Silva numa referência indirecta ao PCP.
A seguir, Santos Silva visou implicitamente o Bloco de Esquerda.
"Somos da esquerda moderada e não da esquerda extremista ou radical. Somos da esquerda responsável, que põe acima de tudo o interesse nacional", sustentou.
