
Despartidarizar, desgovernamentizar e desestatizar são os três “D” que Passos Coelho defendeu hoje, segunda-feira, na entrevista a Miguel Sousa Tavares, apontando em concreto a privatização da RTP e RDP e de outras empresas estatais, como a ANA e a TAP.
Porque o Estado deve sair dos negócios e ser reduzido o poder interventivo do Governo na esfera pública, afirmou o novo líder do PSD, na SIC.
“A racionalização da despesa pública não é suficiente”, tal como está inscrita no Programa de Estabilidade e Crescimento. Daí que advogue o congelamento dos salários da Função Pública: “Uma forte moderação salarial até 2013, em que os salários mais baixos sejam actualizados ao valor da inflação e os outros congelados”.
“Uma forte disciplina e controlo às prestações sociais” foi outra ideia deixada. Porque há quem as receba sem precisar, por não existir fiscalização, referiu.
Sobre o trabalho comunitário que pretende para os beneficiários – do Rendimento Social de Inserção e desempregados – disse poder ser prestado a instituições solidárias ou em autarquias.
Quanto às mais-valias bolsitas, defendeu a criação no IRS de “uma taxa liberatória, autónoma e competitiva”, não superior à de outros países europeus.
Na regionalização, insistiu na criação de uma região-piloto para testar a reforma, antes de a aplicar ao território. Já as entidades reguladoras deveriam, afirmou, ser indicadas por uma maioria de dois terços de deputados.
Sobre as anteriores lideranças do PSD admitiu que não lhes foi dado “tempo para amadurecer” e garantiu não estar “à espreita para deitar o Governo abaixo”. “A questão é saber conquistar o país porque o PSD foi Governo depois de Guterres e não se saiu bem”. E para quando o confronto com Sócrates, nas urnas? “Em circunstâncias normais, daqui a três anos”, disse, antes do elogio a Cavaco Silva.
