Dentro e fora do PS, sucedem-se as vozes que, invocando as dificuldades que o país atravessa, apelam a um "acordo alargado", que inclua o PSD e, mesmo, o CDS. As direcções dos dois partidos recusam-se a comentar os apelos, que até Santana Lopes subscreve.
"É preciso um programa de salvação nacional. E o presidente da República é quem tem mais condições para o promover", disse anteontem à noite, sexta-feira, à RTP-N, o ex-primeiro-ministro e líder do PSD. Embora admitindo que "é de evitar um bloco central", Santana preconizou "um acordo mais alargado". Não excluindo sequer o envolvimento do PCP e dos sindicatos. "Das duas uma: ou o PSD quer dar condições para governar ou não quer", disse, defendendo que "acordos às pingas até às eleições presidenciais não servem o interesse nacional".
Na última semana, em entrevistas e declarações avulsas , sucederam-se os apelos de várias personalidades, à Esquerda e à Direita, a sugerir que o acordo PS/PSD para a aprovação do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) seja alargado a outras matérias e a outros partidos. Com recados até ao presidente da República, como também dirigiu o advogado Proença de Carvalho, que, na Renascença, desafiou Cavaco a "reunir os consensos necessários" para que se encontrem "soluções para o país".
No PS, onde começa a ser tomada em consideração a capacidade do PSD para absorver o descontentamento, que se exprime na subida nas sondagens, também se ouvem cada vez mais apelos a entendimentos com os partidos de Direito.
Depois de Miranda Calha, também o deputado Vera Jardim, habitualmente conotado com a ala esquerda do partido, defendeu, em entrevista à Antena 1, um "acordo de governação" entre PS e PSD, de incidência parlamentar, mostrando-se favorável a que tal acordo se estendesse ao CDS. O ex-ministro da Justiça mostrou-se mesmo convicto de que a José Sócrates tal solução agradaria.
Ontem, sábado, as relações entre PS e PSD azedaram. Em causa, a "digressão espanhola" - expressão do ministro Silva Pereira - de Passos Coelho e as posições que assumiu quanto ao interesse da Telefónica na Vivo (ler texto em baixo). Miguel Relvas acusou o PS de "ensaiar uma estratégia de ataque político" e advertiu o Governo de que pode "ficar a falar sozinho".
Ao JN, o secretário-geral do PSD recusou comentar cenários de acordos pluripartidários para viabilizar a governação. Idêntica atitude tomou o líder parlamentar do CDS. Pedro Mota Soares desmentiu, aliás, uma notícia ontem divulgada, segundo a qual Sócrates teria, em Fevereiro, dirigido a Portas um convite para assumir a pasta dos Estrangeiros.
