Os partidos mostraram-se hoje, quinta-feira, divididos quanto às vantagens de antecipar para os 16 anos a idade mínima para votar, como forma de incentivar uma maior participação cívica dos jovens. Apenas o BE defendeu esta medida.
Representantes dos cinco maiores partidos participaram na conferência "Os jovens e a participação cívica", no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa, que marcou a apresentação da associação "Espaço de Educação e Cidadania", que reúne jovens até aos 35 anos na defesa da cidadania.
No debate, apenas o deputado do Bloco de Esquerda (BE) Luís Fazenda subscreveu categoricamente a necessidade de antecipação da idade mínima do voto.
"Aos 16 anos as pessoas são consideradas maiores para julgamento, é a idade legal para trabalhar, podem ser contribuintes autónomos. É um princípio básico da democracia, a representação é daqueles que pagam impostos, que são considerados ativos da sociedade", sustentou o deputado bloquista, que exemplificou que o voto aos 16 anos é "banal no Brasil".
Comentário que motivou um aparte da antiga deputada comunista Odete Santos - "por isso é que elegem o Tiririca" -, ao que Luís Fazenda ripostou que "também elegem o Lula e a Dilma".
A questão do voto aos 16 anos suscita mais dúvidas aos restantes partidos.
Pelo PS, o vice presidente da bancada parlamentar socialista Sérgio Sousa Pinto admitiu não reconhecer "grande potencialidade" na medida, mas sublinhou estar "disponível" para ser convencido do contrário, uma vez que esta "não é uma questão de princípio".
Amílcar Theias, independente, antigo ministro do Ambiente do governo de Durão Barroso, considerou que "de nada servirá baixar a idade para ter capacidade eleitoral, se as pessoas se limitarem a votar para os representantes na Assembleia da República, em programas que são na maioria das vezes vagos", mas referiu que, se tal "possibilitar uma maior intervenção na vida local, pode ser positivo".
Pelo CDS, o ex ministro e dirigente centrista José Luís Nogueira de Brito admitiu não dispor de informação suficiente sobre esta matéria, mas considerou que "conquistarmos os jovens dessa forma é talvez um pouco oportunista".
Odete Santos (PCP) manifestou dúvidas sobre se "aos 16 anos as pessoas estão maduras já para exercer o direito de voto".
"A política cai-nos todos os dias na sopa"
Os representantes partidários foram unânimes no apelo à intervenção cívica e política dos jovens.
Sérgio Sousa Pinto, antigo líder da Juventude Socialista, pediu ao auditório de estudantes universitários para que "não sejam elitistas", afirmando que "rejeitar os partidos é rejeitar a democracia".
Nogueira de Brito reforço o pedido de participação cívica, mas aconselhou os jovens a "não antecipar a sua biografia": "Façam a vossa vida, tirem os vossos cursos, consigam uma profissão - o que hoje é difícil - e depois tenham uma participação cívica mais intensa".
"O alheamento não é solução, isso não existe. A política cai-nos todos os dias na sopa, não vale a pena iludir", argumentou Luís Fazenda.
