
Opel Zafira em que seguiam o pai, os três filhos e uma amiga destes, ficou praticamente irreconhecível
MARIAM MONTESINOS/EPA
Choque frontal em Zamora, Espanha, contra camião português matou três irmãos e deixou pai ferido com gravidade. Vinham de França para Murça, onde todos os anos passavam as férias grandes com os pais e os avós.
Foi numa reta de Zamora, Espanha, em plena manhã de céu azul, que o choque frontal entre um carro e um camião matou ontem três irmãos portugueses (Beatriz, 12 anos, Guilherme, de oito anos, e Sandro, de quatro), feriu com gravidade o pai e condutor, Luís Gonçalves, e magoou sem gravidade uma criança francesa, amiga da família. Na Murça natal, onde passariam o verão depois de mais um ano emigrados em Toulouse, França, iriam encontrar-se com a mãe, Patrícia Machado, tios e avós. O acidente marcou de forma trágica o fim de semana em que milhares de emigrantes chegam ao país.
Eram 9.40 horas em Portugal, 10.40 em Espanha, quando o Opel Zafira de matrícula francesa chocou de frente com um camião português e foi esmagado pelo reboque que carregava bicicletas, brinquedos e malas. Iam no quilómetro 487 da Estrada Nacional 122. Faltava hora e meia para o destino.
Após o violento embate, o carro ficou transformado num emaranhado de metal. O camião, carregado de pneus que incendiaram um pasto adjacente, ficou carbonizado. O condutor, também português, seguia para a Holanda. Saiu ileso do acidente, mas recebeu apoio psicológico dado pelas autoridades espanholas. O mesmo sucedeu aos familiares das vítimas, disse ao JN o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário.
Ao final da tarde, um comunicado da Guarda Civil espanhola indicava que as causas do acidente serão agora investigadas, mas em Zamora admitia-se que o pai dos três meninos tenha perdido o controlo da viatura e do reboque, embatendo de frente com o camião.
Em resultado, dos ocupantes do carro, só a criança francesa (P.L., de 12 anos) teve ferimentos ligeiros. Luís Gonçalves, de 35 anos, continuava internado na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Virgen de la Concha com "prognóstico grave", segundo o serviço de emergências da Junta de Castilla y Leon. Os três filhos foram levados para o Instituto Anatómico e Forense, para serem reconhecidos por familiares. Em Zamora, a mãe, Patrícia Machado, não quis prestar declarações, mas os familiares indicaram ao JN que seria difícil transladar os corpos ainda ontem e hoje os serviços encerram.
O destino dos corpos será Murça, onde as três crianças nasceram e passavam todos os verões, em casa dos avós paternos, no lugar de Varges. Na aldeia, os habitantes só se aperceberam da gravidade do desastre quando viram as notícias. Maria Angelina de Jesus, dona do café frequentado pelas crianças, lamentou as mortes. "Os meninos eram muito educados, eram bons meninos", recordou.
"Trágico acidente" repete-se
O "trágico acidente", como lhe chamou a Guarda Civil, aconteceu em Cerezal de Aliste, entre Zamora e a fronteira de Quintanilha, na Estrada Nacional 122, que tem visto morrer inúmeros emigrantes a caminho de casa. A via esteve largas horas encerrada ao trânsito, enquanto a polícia, os bombeiros e os serviços de emergência médica assistiam os feridos, apagavam o violento incêndio que consumiu o camião, a carga e um campo vizinho e limpavam a estrada dos destroços.
Tal como Portugal, também Espanha pôs em marcha uma campanha de prevenção rodoviária especialmente destinada aos emigrantes que fazem longas viagens, muitas vezes pela noite dentro.
