
O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar- Branco, defendeu, esta segunda-feira, que é possível conciliar os interesses particulares com o superior interesse nacional, afirmando que é preciso ter "nervos de aço" perante "tempos difíceis".
"É preciso ter nervos de aço, é preciso a consciência tranquila. Está muita coisa em causa, eu acho que nesta instituição determinante e um pilar do Estado de Direito Democrático é sempre possível conciliar aquilo que são os interesses particulares legítimos com o superior interesse nacional", declarou Aguiar-Branco.
O governante discursava no final da tomada de posse da nova direção do Instituto de Ação Social das Forças Armadas, no Ministério da Defesa Nacional, Lisboa.
Aguiar-Branco considerou que se vivem "tempos difíceis", que "obrigam a grande preocupação no que diz respeito à coisa pública" mas também "tempos em que é preciso estar à altura de dar resposta àqueles que se desejam aproveitar destas situações para criar instabilidade adicional".
Questionado pelos jornalistas no final da cerimónia, a que assistiram os chefes militares, Aguiar-Branco recusou que exista qualquer mau estar nas Forças Armadas, afirmando que, "na dimensão militar, a situação é absolutamente tranquila".
Na semana passada, o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, general Luís Araújo, afirmou que os militares não estão indiferentes ao que se passa no país, a propósito das manifestações que reuniram centenas de milhar de pessoas.
"Nós somos seres humanos, temos sentimentos, temos família, nós temos alma. Nós temos participado no esforço de arranjo das contas públicas portuguesas, não podia ser de outra forma. O que não quer dizer que sejamos submissos. Estamos atentos, somos cidadãos", disse Luís Araújo.
Questionado sobre esta declaração, Aguiar-Branco afirmou concordar com o general Luís Araújo, referindo que "a submissão só existe em ditadura".
"Eu sou o primeiro a não querer que haja submissos, que não haja liberdade de expressão, que não haja a liberdade de exercer a crítica, dentro do critério constitucional e do quadro legal em que ele se deve expressar", afirmou.
Aguiar-Branco disse que as preocupações que existem "são as preocupações inerentes a todo o cidadão português", face à situação que o país vive "de grandes constrangimentos" que "seguramente preocupa a todos".
"Os militares são pessoas, são cidadãos e nesse aspeto também vivem com essa preocupação. Agora, na sua dimensão militar a situação é absolutamente tranquila. As chefias puderam declarar isso mesmo e que detêm o exercício normal de comando e que não há nenhum foco de instabilidade em relação à estrutura das Forças Armadas", disse.
Questionado sobre o encontro, esta segunda-feira, entre os chefes militares e o Presidente da República, Cavaco Silva, o governante disse ver a reunião como "uma situação normal, numa relação de trabalho que deve existir também entre o comandante supremo das Forças Armadas e as chefias militares respetivas".
Aguiar-Branco reforçou que é preciso "nervos de aço" na "gestão da coisa pública", criticando "aqueles que numa situação de preocupação legítima, desejam ampliar climas e aparentar crises onde elas não existem e criando focos de instabilidade que não tem tradução real no terreno".
