UGT diz que aumento do salário mínimo não cria emprego mas não tem consequências negativas

João Proença diz que se trata de "um objetivo de justiça social, de combate às desigualdades e de combate à pobreza"
Steven Governo / Global Imagens
O secretário-geral da UGT, João Proença, vê com "muitas preocupações" as declarações do primeiro-ministro sobre o aumento do salário mínimo nacional, sublinhando que se trata de uma medida sem "quaisquer consequências negativas sobre o emprego".
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou esta quarta-feira, no debate parlamentar quinzenal, que, quando um país enfrenta um nível elevado de desemprego, "a medida mais sensata que se pode tomar é exatamente a oposta" ao aumento da remuneração mínima e destacou que foi isso que a Irlanda fez, ou seja, baixar o salário mínimo nacional.
"O aumento do salário mínimo não tem como objetivo aumentar o emprego, mas temos a noção que não tem quaisquer consequências negativas sobre o emprego", afirmou o líder da União Geral de Trabalhadores (UGT), sublinhando que se trata de "um objetivo de justiça social, de combate às desigualdades e de combate à pobreza".
Interrogado sobre como olha para as declarações de hoje do primeiro-ministro, na Assembleia da República, João Proença disse que isso "levanta muitas preocupações", porque "parece vir na linha de que o fundamental para o Governo é obedecer às ordens da 'troika'".
"Temos a convicção plena de que a 'troika' está contra o aumento do salário mínimo, [mas] temos também a convicção plena que o Governo português devia defender o aumento do salário mínimo", acrescentou João Proença.
