
O deputado Manuel Seabra tentava há seis meses debelar as complicações de um transplante de medula, realizado na sequência de uma doença prolongada. Em Dezembro foi internado no Instituto de Oncologia do Porto, onde faleceu esta quarta-feira. Tinha 51 anos.
À semelhança de outros militantes socialistas, o secretário geral do PS escolheu a rede social Facebook para manifestar o seu voto de pesar pela morte de Manuel Seabra e recordar o tempo em que ambos se conheceram.
"Conheci-o nos tempos de juventude, onde construímos uma forte amizade, assente num ideal que partilhávamos e ambicionávamos para o nosso país. Tempos que pela sua intensidade permanecem na memória de cada um que os viveu".
António José Seguro, que esta quinta-feira estará presente, às 16 horas, no funeral do socialista, no Tanatório de Sendim, em Matosinhos, sublinhou que Seabra "lutou a vida inteira pelas causas em que acreditava e, nos últimos tempos, pela sua própria vida". E elogiou a sua dedicação "ao serviço público e à política".
Na mesma rede, o secretário nacional do PS, Álvaro Beleza, destacou que Seabra "era um dos melhores" da sua geração.
Já Manuel Pizarro, líder da concelhia do PS/Porto, enalteceu "o político talentoso e solidário, um Homem encantador, corajoso, determinado e bem humorado."
A morte de Manuel Seabra deixou também parlamento de luto, notou a presidente da Assembleia da República numa nota enviada à comunicação social. "A sua morte deixa-nos uma marca de tristeza indelével. Uma tristeza que atravessa o Parlamento inteiro, lugar em que foi um combatente sereno e leal". Assunção Esteves realçou o exemplo deixado pelo deputado. "A sua tarefa política, transversal e persistente, resgata-o da morte para o fazer permanecer na memória de todos como exemplo".
"Amigo de longa data", António Parada, candidato derrotado à Câmara de Matosinhos nas últimas autárquicas, afirmou ao JN a "profunda tristeza" por Manuel Seabra não ter resistido à doença.
"Estava doente há muito tempo, mas tive sempre esperança de que recuperasse". Parada lamenta a perda "de um grande político e de um homem claro", mas sobretudo "da longa vida que ainda tinha para viver" . "Ficámos todos a perder: os amigos, o partido, Matosinhos e a nação".
Amante de jazz, cria festival, orquestra e clube
Licenciado em Direito e advogado de profissão, Manuel Seabra, nascido a 28 de Julho de 1962, iniciou o percurso político no início dos anos 90, na Juventude Socialista. Era Seguro líder da JS. Apesar disso, em 2005 quando Francisco Assis disputou a liderança do partido com Seguro, Seabra escolheu apoiar Assis.
Anos antes, em 1988, Narciso Miranda levara-o para a Câmara de Matosinhos como seu assessor, onde acabaria por ser vereador do Urbanismo e vice-presidente da Câmara. É com ele, amante de jazz, que a cidade ganha um festival anual de jazz, uma orquestra de jazz e um clube de jazz (B Flat).
Em 1999, quando Narciso integra o Governo de António Guterres, Seabra assume a presidência da Câmara. Mas quando, um ano depois, o autarca regressa, a amizade entre ambos ressente-se.
O desentendimento dá origem ao incidente da lota de Matosinhos, em Junho de 2004, marcado pela morte de António Sousa Franco, candidato do PS às eleições europeias, e que levaria ao afastamento dos dois políticos da corrida às autárquicas em 2005.
Seabra pede demissão de todos os cargos políticos, mas acaba resgatado em 2008 por António Costa, que o convida para seu chefe de gabinete, na Câmara de Lisboa.
Um ano depois, integrou a lista de deputados pelo Porto ao Parlamento, onde permaneceu até Junho de 2013, quando suspendeu o mandato devido à doença.
