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O presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia revelou esta sexta-feira que no Porto e em Lisboa existe, em média, um carro-patrulha a circular por esquadra, reclamando mais verbas para reparar viaturas imobilizadas durante meses.
"Têm de se encontrar soluções. Uma é imprescindível: um investimento maior, um reforço da verba para que a PSP possa reparar as viaturas. Uma esquadra dependente de uma viatura causa muitas dificuldades na resposta que gostaríamos de dar aos cidadãos", alertou Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), em declarações à Lusa.
No fim de uma reunião com o vereador da CDU da Câmara do Porto, Paulo Rodrigues notou que a ASPP/PSP tem feito alertas constantes "sobre a necessidade de prever uma verba considerável para que a polícia não tenha de estar à espera de uns míseros euros para fazer uma reparação, deixando os carros imobilizados durante meses".
Admitindo que "o problema transversal a todo o país", o responsável da ASPP sustenta que é no Porto e em Lisboa, onde estão "os dois maiores comandos" do país, que existe uma "maior carência de viaturas".
Na sua perspetiva, é nestes concelhos que "as esquadras deviam estar mais apetrechadas, com mais meios para responder às necessidades".
"Os carros patrulha são um instrumento imprescindível para que se possa dar uma resposta com celeridade e qualidade que a situação exige. Como é o principal instrumento, tem de haver mais investimentos e tem de ser dada legitimidade aos comandantes para autorizar as reparações mais rápido do que está a acontecer neste momento", descreve Paulo Rodrigues.
O problema, explica, é que a par da falta de verbas existe "uma série de burocracia que leva a que se passem meses entre a altura em que a viatura é imobilizada e o momento em que chega a autorização para a reparação".
"É quase uma constante falar nas viaturas. O poder ainda não percebeu que as viaturas são de desgaste muito rápido. Se não houver verba para dar resposta a pequenas reparações, depois podemos ter uma viatura que até não tem muitos anos, mas está imobilizada vários meses", lamenta.
Paulo Rodrigues avisa que deixar uma esquadra "dependente de uma viatura causa muitas dificuldades na resposta" que a PSP gostaria de dar aos cidadãos, que "não aceitam muito bem estarem muito tempo à espera de que a viatura chegue" para, depois, receberem como justificação que "apenas está disponível um carro patrulha".
"A responsabilidade é colocada no agente. Isto coloca uma série de constrangimentos e de credibilidade que podem, no futuro, ter consequências de outra ordem", afirma o responsável, criticando o "prejuízo para o serviço público".
O responsável alerta que a "falta de investimento" não corresponde a uma redução de gastos, porque "investir nos meios e equipamentos da polícia é investir na segurança".
"Isto revela alguma falta de conhecimento e até de vontade política. Acaba por se desvalorizar a questão da segurança, comprometendo-se o trabalho da PSP, não por causa dos polícias, mas por falta de equipamento", conclui.
