
Pedro Granadeiro / Global Imagens
Universitários, amigos, gente do futebol e muitos anónimos estiveram entre as cerca de mil pessoas que prestaram ontem o último adeus a Marlon Correia, em Gaia. Padre fez apelo contra a impunidade.
A escadaria da igreja de Arcozelo já estava convertida numa imensa passadeira de capas negras e muitas rosas quando, pouco depois das 11 horas, chegou a urna com o corpo do jovem assassinado a tiro no Queimódromo do Porto, durante um assalto frustrado. Maioritariamente vermelhas, mas também azuis e amarelas, as flores simbolizaram as cores da bandeira da Venezuela, terra natal do estudante morto aos 24 anos. Foi assim que os colegas do finalista da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto quiseram homenageá-lo.
À espera do cortejo fúnebre, proveniente do pavilhão municipal, estava uma multidão comovida. Lágrimas impossíveis de conter, abraços de consolo, palavras de apoio e revolta contida eram os gestos e sentimentos dominantes. A transportar o caixão, atletas do Sporting Clube de Arcozelo, onde jogava o universitário, eram o rosto da consternação. A dimensão da cerimónia - além de colegas, familiares e amigos, muitas pessoas que não conheciam o jovem, oriundas de várias zonas, também participaram no último adeus - levou a GNR a regular a circulação de trânsito na rotunda em frente à igreja, que foi tomada por parte da passadeira improvisada.
Palmas à saída
Durante a missa, o padre de Arcozelo, José Branco, enalteceu o heroísmo de Marlon antes da morte, ao tentar ajudar os colegas a fugir do tiroteio. E dirigiu às autoridades policiais e judiciais, um apelo coletivo. "Porquê isto? Ficámos todos abismados com o que aconteceu. Parece que impera a impunidade. Que fazer para que não continue a haver a morte de inocentes?", declarou. Um representante da Universidade do Porto, por sua vez, lamentou o "crime hediondo" num evento que deveria ser de festa , frisando que foi declarado dia de luto na academia.
À saída da igreja, foram pelo menos três as salvas de palmas. O corpo acabou por ser cremado em S. João da Madeira, na presença de familiares mais próximos.
A Polícia Judiciária do Porto continua a seguir várias pistas na investigação.
