
Uma carta deixada por Catarina Amaro no emprego pode lançar alguma luz no desaparecimento da candidata às autárquicas em Mirandela. Mas amigos e família continuam apreensivos. O caso passou para a PJ.
Apesar das buscas e das investigações levadas a cabo pela PSP e pela GNR, não há sinais do paradeiro de Catarina Amaro, 34 anos, desaparecida na passada terça-feira, depois de ter dado uma boleia para o trabalho a uma prima, Tânia Almeida, com quem partilha a casa. A carta encontrada na empresa Practigest, onde Catarina trabalha há 12 anos, está já em poder da polícia. Trata-se de uma missiva manuscrita, cujo teor não foi revelado pelo responsável da Practigest ou pelas autoridades.
Após analisar o conteúdo da carta, o Ministério Público decidiu, inicialmente, delegar na PSP de Mirandela a responsabilidade pela investigação, mas ontem o caso foi entregue à Polícia Judiciária. Aparentemente não haverá evidências, até ao momento, que indiciem qualquer crime. Fonte policial deixa entender que o manuscrito revela alguma perturbação de Catarina Amaro, mas sem adiantar grandes pormenores. Nada que tranquilize, amigos e colegas de partido. Tânia, que reconheceu formalmente a letra da prima na carta, continua tão apreensiva como antes.
De resto, a Brigada Anticrime da PSP já esteve no apartamento da técnica de contabilidade e candidata nas listas da CDU às próximas eleições autárquicas, tendo confirmado que Catarina não levou nada do apartamento a não ser a roupa que trazia vestida, a carteira e os seus três telemóveis.
Carla Alexandre, proprietária de um salão de cabeleireira e amiga de Catarina, conta que surgiram alguns rumores de que teria aparecido um biquíni que poderia pertencer-lhe, mas ao deslocar-se a casa com a prima verificou que não falta nada no guarda-roupa da amiga desaparecida.
"É tudo muito estranho, porque ela quando não estava bem, desligava os telemóveis, refugiava-se durante uns minutos e regressava. Mas desta vez nota-se que saiu à pressa e nem os telemóveis desligou", conta.
"Não acredito que tenha cometido alguma loucura, não era pessoa para esse tipo de coisas", acrescenta Carla, garantindo ainda que o ambiente profissional era o melhor. "Dava-se às mil maravilhas com os patrões e com tantos anos de casa já havia um clima de confiança enorme. Ela sempre diz que gosta do que faz", remata.
Partido preocupado
Também a Direção Regional do PCP de Bragança manifestou "preocupação e apreensão" com o desaparecimento, em Mirandela, de um dos membros da organização partidária", deixando uma mensagem de "apoio e solidariedade à família e amigos".
Catarina Amaro está indicada para número dois na candidatura da CDU à Assembleia Municipal de Mirandela. Pedro Fonseca, da estrutura concelhia do PCP, realça que a técnica de contabilidade sempre foi "muito ativa nas ações partidárias, com ideias muito inovadoras para o concelho, e não perdia um festa do Avante". "Fiquei de rastos quando ouvi esta notícia, até porque é uma pessoa que transborda alegria. Eram raros os momentos em que não se via um sorriso", diz ao JN.
