Assaltantes que provocaram acidente de comboio a fugir da GNR vão a julgamento
O Ministério Público de Torres Vedras deduziu acusação contra os assaltantes de dois estabelecimentos comerciais naquela cidade, que se envolveram em tiroteio com a GNR durante uma perseguição até Sintra, onde vieram a causar um acidente ferroviário.
Os dois arguidos, de 27 e 47 anos, são acusados, cada um, de dois furtos qualificados e um simples, recaindo ainda sobre um deles crimes de condução perigosa, dano qualificado, resistência e coação às autoridades policiais e atentado à segurança de transporte de caminho-de-ferro, refere a acusação, a que a agência Lusa teve acesso.
Os dois arguidos formavam um grupo, composto por um terceiro homem que está por localizar, que, na madrugada do dia 3 maio de 2013, se deslocou - numa viatura furtada dias antes em Vale de Cambra - a localidades do concelho de Torres Vedras.
Aí, partiram o vidro da montra de um café em Santa Cruz e outro na Silveira, furtando as respetivas máquinas de tabaco, com maços de tabaco no valor de 10 mil euros e 200 euros em dinheiro.
Alertada por populares, devido ao estrondo provocado pelos vidros a partir, a GNR iniciou uma perseguição ao grupo, envolvendo militares de vários postos territoriais.
A perseguição prolongou-se por 35 quilómetros durante quase uma hora, atravessando localidades do litoral dos concelhos de Torres Vedras, Mafra e Sintra em alta velocidade, pondo em perigo pessoas e a circulação automóvel.
Além de desrespeitarem sinais e regras de trânsito, estão acusados de provocar estragos em várias viaturas da GNR, ao efetuarem manobras de marcha atrás no sentido de as imobilizar, e quase atropelando vários militares, ao não pararem perante as abordagens e tiros de advertência.
Um dos militares ficou ferido e necessitou de receber assistência hospitalar.
Já em Sintra, na zona de Pero Pinheiro, seguiram com a viatura pelo caminho-de-ferro da Linha do Oeste e, quase um quilómetro depois, vieram a abandonar aí a viatura, provocando um acidente às 05:48, em resultado do embate de um comboio.
A composição, onde seguiam seis pessoas, arrastou o veículo 100 metros. O acidente paralisou a circulação ferroviária na Linha do Oeste durante mais de cinco horas e provocou estragos na linha e no comboio avaliados em mais de 20 mil euros.
Um dos arguidos sofreu ferimentos, alegadamente provocados por um tiro disparado pela GNR, e foi detido pela PSP a 300 metros do local, em Almargem do Bispo, enquanto o segundo veio a ser identificado e detido em outubro, após buscas domiciliárias, tendo ficado a aguardar julgamento em prisão preventiva.
O julgamento, ainda sem data marcada, vai decorrer em Sintra, uma vez que o Tribunal de Torres Vedras se declarou "territorialmente incompetente" para julgar o caso, atendendo a que os crimes ocorreram na área da comarca da Grande Instância Criminal de Lisboa Noroeste, segundo o processo entretanto remetido a julgamento.
