Reforma curricular "não educativa" levou milhares de docentes para o desemprego
Cerca de 40 professores dirigiram-se, esta segunda-feira, ao Centro de Emprego de Braga para "meter os papéis" para o subsídio de desemprego, num protesto à reforma curricular que dizem ter deixado milhares sem trabalho.
No primeiro dia útil após a saída das listas de colocação de docentes para o ano letivo 2012/2013, os professores não colocados manifestam-se em diferentes centros de emprego do país, e apontam culpas ao Governo, afirmando que a reforma curricular foi "financeira" e "não educativa".
Segundo números da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), cerca de 40 mil professores não foram colocados.
Para Lurdes Veiga, do Sindicato dos Professores do Norte, a "culpa" da situação "precária e desesperante" de muitos dos docentes sem colocação é da reforma curricular e das opções do Governo.
"As mudanças que foram feitas não tiverem em vista o melhoramento do ensino em Portugal, mas sim questões financeiras. Piorou-se o ensino, e muito - sublinhou -, para, supostamente, poupar uns milhões".
Isto porque, defendeu, "poupa-se nas escolas e gasta-se em custos sociais. Mas isso não aparece nas contas nas quais o Governo diz que se vai poupar muitos milhões com os mega agrupamentos".
Esta sindicalista afirmou, assim, "que há, nas escolas, uma opção ideológica de finanças, e não educativa".
Lurdes Veiga aponta ainda o dedo ao "timing" do Ministério dirigido por Nuno Crato.
"A maioria das medidas, como diplomas legislativos, saíram em julho, o que não deu sequer tempo às escolas para se prepararem", afirmou.
Sílvia Alves, Luís Mendes e Helena Coelho são nomes de três professores que não constam na lista de colocados.
"Fui vítima dos mega agrupamentos", afirmou à Lusa Luís Mendes, professor de Biologia, de Braga, mas a dar aulas há três anos em Beja.
"Estive no Alentejo três anos. Mas, com a junção de escolas, dois professores que estavam na direção de uma das escolas agrupadas, e que são dos quadros, voltaram à sala de aulas e eu fiquei de fora", explicou.
O mesmo aconteceu com Helena Coelho: "Graças à criação de um mega agrupamento e ao aumento de alunos por turma fiquei sem horário e no desemprego", ironizou.
Sílvia Alves, professora de História e Português desde 2001, contou que "já pagava para trabalhar", pois no ano letivo anterior "apenas" tinha 14 horas de aulas no horário, numa escola em Viana do Castelo, mas, disse, "dava para os gastos".
"Este ano nem horário reduzido nem nada. Estou praticamente na mesma situação que estava quando acabei o curso. Mas agora tenho 33 anos e já sou velha para muitos dos anúncios que aparecem nos jornais", apontou.
Os professores que esta segunda-feira se apresentaram no Centro de Emprego de Braga dizem-se "desiludidos" e contaram que, agora, "apenas podem esperar pela sorte de apanhar restos" de horário de substituição de docentes.
"O 'jackpot' é apanhar uma aposentação", disse Luís Mendes.
