
José Mota/Global Imagens
Centenas de alunos do 1.º ciclo de três escolas lisboetas vão ficar sozinhos durante as tardes, porque os professores de Atividades de Enriquecimento Curricular deixaram, esta sexta-feira, de trabalhar por não receberem ordenado desde janeiro.
O alerta foi lançado pela presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas do Lumiar (APEEAEL), Irene Pinto, que contou à Lusa que "os 27 colaboradores que dão as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) aos 350 alunos das três escolas primárias do Alto do Lumiar deixaram de trabalhar hoje".
Sem ordenado desde o início do ano, os colaboradores são professores de educação física, inglês e expressões integradas (disciplina de artes que engloba áreas como a música, teatro ou artes plástica), acrescentou a presidente da associação.
Com as AEC encerradas, muitos alunos "ficam sozinhos entre as 15.15 e as 17 horas", hora a que terminam as aulas. "Alguns pais disseram que iam buscar as crianças, mas muitas vão ficar sozinhas", alertou Irene Pinto.
Os atrasos nos pagamentos estão relacionados com "a extinção da Direção Regional de Educação de Lisboa (DREL) e a criação da nova entidade gestora, que ainda não fez as transferências de dinheiro relativas ao segundo período", acusou a presidente da associação de pais.
Com a criação da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEE), a 31 de dezembro, a gestão contabilística e financeira dos serviços ministeriais passou a ser uma responsabilidade da Gestão de Recursos Financeiros. "Decorrente destes factos, os pagamentos à grande maioria das entidades apenas em março poderão começar a ser processados", lê-se numa resposta enviada à APEEAEL por um responsável da recém-criada direção geral.
Irene Pinto diz que a associação de pais tem enviado "vários e-mails e cartas" ao Ministro da Educação e Ciência (MEC) assim como à Direcção da Administração Escolar para tentar resolver o problema. Sem solução à vista, "os pais decidiram preparar uma ida ao MEC já na segunda-feira, para escrever no livro de reclamações", anunciou.
A representante dos encarregados de educação diz que existem outros estabelecimentos de ensino na mesma situação, dando como exemplos as escolas do Lavradio e de Vila Franca de Xira.
Contactado pela Lusa, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida, considera, no entanto, que se trata de casos isolados, já que não tem conhecimento que tal situação esteja a acontecer em outras escolas do país.
A agência Lusa contactou o Ministério da Educação mas não obteve qualquer resposta até ao momento.
