
Um estudo internacional comprovou que a toma prolongada de baixas doses de aspirina reduz a probabilidade de cancro de cólon em grupos de risco genético.
O ensaio clínico, realizado em 16 países e com a participação de cerca de mil pacientes, suporta a utilização de fármacos na prevenção deste tipo de cancro, em pessoas que disponham de um risco genético maior no desenvolvimento da doença.
Todos os pacientes do ensaio sofrem de síndrome de Lynch, uma condição hereditária que predispõe para o desenvolvimento do cancro colorectal, e que, em alguns casos, está relacionada com o aumento do risco de outros tipos de cancro como de útero, estômago e mama.
Em declarações ao diário espanhol "El Mundo", Juan Diego Morillas, da Aliança para a Prevenção de Cancro do Cólon em Espanha, explica que "há vários anos que se sabe que a aspirina e os anti-inflamatórios não esteróides diminuem o crescimento dos adenomas do cólon. Este artigo é o primeiro ensaio clínico aleatório, com aspirina, que confirma a diminuição da incidência de cancro do cólon na população de alto risco, afectada pelo síndrome hereditário de cancro do cólon".
Este tipo de cancro apresenta-se como o mais comum entre os homens portugueses e a quarta causa de morte oncológica em Portugal.
Cerca de 14 mil pessoas morrem todos os anos, vítimas da doença, colocando-a como segunda causa de morte por tumores em toda a Europa.
John Burn, do Instituto de Medicina Genética da Universidade de Newcastle e autor principal do artigo, esclarece que "os resultados, tomados em conjuntos com outras investigações, reforçam as bases que permitem recomendar aspirina às pessoas afectadas com síndrome de Lynch, como parte integrante do tratamento".
Projecto mundial de prevenção
Sob a designação de CAPP2, o ensaio está integrado no âmbito do Programa de Prevenção do Adenoma/Carcinoma Colorectal (CAPP), iniciado em 1990. Trata-se de um projecto mundial que procurar investigar modos de prevenção do cancro do cólon.
Entre 1999 e 2005, 861 pessoas foram divididas em dois grupos - ao primeiro foi prescrita uma dosagem de 600 miligramas de aspirina e, ao segundo, administrado placebo durante 25 meses. Em 2010, os primeiros resultados revelaram que no grupo tratado com aspirina registou-se um menor número de casos da doença.
Os autores do ensaio anunciaram, ainda, que pretendem realizar outra investigação (CAPP3), desta vez debruçada sobre a administração de diferentes dosagens de aspirina a pacientes com síndrome de Lynch.
