
A saúde e os salários são os factores mais penalizadores para as mulheres em Portugal, que registou no ano passado um recuo na igualdade de género a nível internacional, segundo o Fórum Económico Mundial.
No relatório anual do Fórum sobre igualdade de género, divulgado terça-feira, Portugal surge na 35ª posição entre 135 países, três posições abaixo de 2010, atrás de Espanha (12º) ou Moçambique (26º), mas à frente de outras nações europeias como a França (48º).
A descida de Portugal, refere o relatório, deve-se a "pequenas deteriorações nas categorias de rendimento estimado, igualdade salarial e representação feminina no parlamento".
Islândia, Noruega, Finlândia e Suécia são os quatro primeiros em termos de igualdade de género, e o Iémen é o último da tabela.
Numa escala em que a pontuação 1 significa igualdade total entre homens e mulheres e 0 (zero) representa a desigualdade, Portugal regista 0,714 pontos.
A Política é a componente em que os resultados são mais positivos, situando-se o país na 34ª posição geral, sobretudo devido ao número de ministras (21ª posição) e deputadas (29ª posição), que compensam a 44ª posição no indicador de chefes de Estado do sexo feminino nos últimos anos.
Na Educação, o país ocupa a 55ª posição geral e na Economia cai para a 59ª, penalizado pela igualdade de salário por trabalho semelhante (109ª posição) e rendimento estimado (69ª posição).
O pior dos vários indicadores considerados pelo Fórum é a Saúde, que em Portugal surge na 71ª posição.
Para o Fórum, a eliminação de desigualdades de género é uma questão de direitos humanos e equidade, mas também de eficiência. "A mais importante condição para a competitividade de um país é o talento humano - as capacidades, educação e produtividade da sua força de trabalho - e as mulheres representam metade da reserva de talento potencial em todo o mundo", refere o relatório.
"A competitividade de um país depende, entre outras coisas, de ser educado e utilizado o seu talento feminino, e como tal é feito", adianta.
