
O orgulho nacional chinês voltou a subir ao céu, este domingo, com o lançamento da sonda espacial "Chang'e-3", que deverá realizar uma proeza só conseguida até agora pela Rússia e os Estados Unidos: pousar suavemente na lua.
Se tudo correr como planeado, a alunagem ocorrerá em meados de dezembro, altura em que está prevista a entrada em ação do "Yutu", veículo equipado com quatro câmaras e dois braços mecanizados que vai a bordo da "Chang'e-3" e que irá estudar a estrutura geológica e a superfície da lua.
A missão tem sido descrita como a mais complexa do género jamais realizada pela China e em que 80% da tecnologia utilizada é nova.
A China só lançou o primeiro astronauta, Yang Liwei, em 2003 - quatro décadas depois de a Rússia e dos Estados Unidos - mas está a recuperar rapidamente o atraso.
Em 2012, pela primeira vez, uma nave espacial tripulada chinesa acoplou com o protótipo de uma estação espacial, demonstrando o domínio de uma tecnologia que apenas aqueles países possuíam.
No espaço de uma década, a China colocou em órbita mais de uma dezena de astronautas, entre os quais duas mulheres.
"A exploração chinesa do espaço não terminará na lua. O nosso objetivo é o espaço profundo", disse Sun Huixian, vice-engenheiro-chefe do programa lunar.
Um outro país emergente, a Índia, enviou a semana passada uma sonda em direção a Marte, numa viagem que deverá durar dez meses.
Um responsável do programa lunar chinês citado na imprensa oficial, Li Benzheng, afirmou que a China "não encara a exploração espacial como uma competição" e "está aberta à cooperação com outros países".
"Esperamos explorar e utilizar o espaço para encontrar mais recursos para promover o desenvolvimento humano", disse Li Benzheng.
O desenvolvimento do programa espacial chinês, acompanhado pela imprensa oficial com um fervor patriótico comparado à cobertura dos Jogos Olimpicos de Pequim, em 2008, coincide com a emergência da China como a segunda maior economia mundial, logo a seguir aos Estados Unidos.
"Mais um passo glorioso", disse um repórter da Televisão Central da China (CCTV) durante a transmissão em direto do lançamento da "Chang'e-3".
Será a primeira alunagem do século XXI, realçou a agência noticiosa oficial Xinhua.
