
Um homem pode ser homossexual por determinação biológica e não por escolha social. Foi a esta conclusão que chegou um estudo genético, que analisou os genes de 409 pares de irmãos homossexuais.
Os resultados de uma análise genética levada a cabo em 409 pares de irmãos homossexuais dão força à ideia de que os homens já nascem com a sua orientação sexual definida.
O estudo, recentemente publicado pela Universidade de Cambridge, estabelece uma ligação entre a orientação sexual dos homens e duas regiões do genoma humano: uma no cromossoma X e outra no cromossoma 8.
Para conseguir estes resultados, os investigadores fizeram um estudo genético de 409 pares de irmãos homossexuais, a maior amostra do género até ao momento.
Ao estudarem a base genética de todos, os cientistas encontraram duas zonas que podem contribuir para a preferência sexual dos homens estudados: uma área no cromossoma 8, 8q12, e outra no cromossoma X, Xq28.
Este estudo reafirma, assim, que há uma base genética que ajuda a explicar a homossexualidade nos homens: dois genes podem contribuir para a orientação sexual de pessoas do sexo masculino, mesmo antes destas nascerem.
"Os resultados dão cabo da noção de que a orientação sexual é uma escolha", garante um dos investigadores, do NortShore Research Institute, de Evanston, Illinois, EUA.
Esta não é, no entanto, a primeira vez que se estudam os cromossomas em questão, em busca de resultados fiáveis. A região do cromossoma X analisada, chamada de Xq28, já tinha sido identificada em 1993 por um instituto norte-americano, enquanto que a região do cromossoma 8, denominada 8q12, também já tinha sido encontrada em 2005.
Desta feita, o estudo reuniu três vezes o número de pessoas analisadas anteriormente, para conseguir um resultado mais concreto. Durante cinco anos, a equipa de investigadores reuniu amostras dos participantes no estudo, pertencentes a 384 famílias.
Depois de reunidos todos os detalhes genéticos de cada um, os investigadores passaram a tentar encontrar pequenas diferenças no código genético que fossem partilhadas por todos.
A única coisa que todos os 818 homens envolvidos tinham em comum era o facto de serem homossexuais, pelo que, a ser encontrada alguma semelhança genética, teria de ser pautada com a sua orientação sexual. De todas as "diferenças" genéticas encontradas, duas eram partilhadas pela maioria e situavam-se nas regiões Xq28 e 8q12.
Mesmo assim, os investigadores rejeitam designar o que encontraram como "genes gay", porque ainda é preciso perceber a extensão da sua contribuição na orientação sexual e a região em questão possui inúmeros genes.
A próxima fase da investigação passa, então, pela comparação das regiões analisadas em homossexuais com a base genética de homens heterossexuais, para perceber quais são as diferenças. O investigador responsável pelo estudo já está a preparar um novo estudo onde revelará o que já aprendeu sobre isso.
Também falta encontrar o equivalente genético feminino, não analisado neste estudo.
Apesar dos resultados, o investigador responsável pelo estudo faz questão de relembrar que a orientação sexual não depende só dos genes, mas de múltiplos fatores. Mesmo que se encontrem e se prove a existência de genes que influenciam a orientação sexual, estes apenas têm uma pequena influência isolados.
