
Um projeto de abrigos para refugiados na Síria desenhado por três jovens arquitetas portuguesas, e que venceu um concurso internacional em outubro, está desde esta terça-feira exposto na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
O projeto faz parte da exposição "Resilience By Design: Crowd-sourcing Sustainable Design Solutions for Emergencies", que reúne projetos criados no ano passado durante a "Open Online Academy", uma iniciativa da ONU que procura novas soluções de habitação e ensino para zonas de conflito e de desastres naturais.
Numa cerimónia no auditório da biblioteca da ONU, Joana Lacerda, Carla Pereira e Ângela Carneiro fizeram uma apresentação do seu abrigo e receberam o prémio de melhor projeto do curso que frequentaram no verão passado.
"Na altura, estávamos desempregadas e decidimos fazer o curso porque o tema nos interessa e é nesta área que gostávamos de trabalhar", disse Ângela Carneiro à agência Lusa.
Desde essa altura, a arquiteta afirmou que fizeram vários contatos, que "abriram algumas portas", mas que continuam "à procura de uma boa oportunidade de trabalho", explicando que conseguiram o dinheiro para viajar até Nova Iorque através de uma angariação de fundos na Internet.
Uma das prioridades das três amigas é conseguir apoios para construir os abrigos.
Durante o curso, o objetivo era que cada projeto pudesse ser construído por menos de mil dólares, cerca de 780 euros. Esse valor era, no entanto, baseado numa estimativa de produção em larga escala.
"Construir um protótipo seria muito mais caro, por isso ainda não o fizemos. Temos agora esperança de que estando presentes na ONU possa surgir uma organização ou empresa que queria construir os abrigos", explicou Ângela Carneiro.
Na conferência que inaugurou a exposição, discursaram o fundador da Open Online Academy, Ivan R. Shumkov, o presidente da Architecture for Humanity de Manila, Illac Angelo Diaz, o fundador do Laboratório de Risco Urbano da universidade MIT, Miho Mazereew, a coordenadora da iniciativa Global Pulse da ONU, Sara Cornish, e um representante do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Matthew Hochbrueckner.
Na sua apresentação, as portuguesas explicaram que o abrigo se adapta às grandes variações de temperatura na Síria, podendo ser encurtado ou alargado consoante o numero de pessoas que tem de abrigar. No exterior, tem uma grelha que pode ser usada para revestir as paredes conforme o seu utilizador entender.
"Esta é uma área que nos interessa, porque a motivação não é o dinheiro e o lucro, como acontece com muita arquitetura, mas a possibilidade de ter um impacto real na vida de milhares de pessoas. Podemos, de facto, tornar o mundo um lugar melhor", disse Ângela Carneiro.
A exposição, que viajará também para a Asia Society, em São Francisco, pode ser visitada até dia 12 de dezembro.
