1. Não poderíamos deixar passar nesta edição o reconhecimento a mais um prémio conseguido por um hospital da Região Norte. O Santo António foi este ano escolhido como Hospital do Ano por uma multinacional espanhola que se dedica ao estudo e elaboração de rankings de unidades hospitalares. Não é um prémio "oficial" mas um bom sintoma. Ainda assim está aberta uma discussão sobre que rankings fazem sentido promover.
2. Entretanto, uma outra questão mais de acordo com a época. Perante a absoluta "euforia do açúcar" que é o Natal - e tudo o que lhe vem associado - há quem lance conselhos extra de forma a evitar as ressacas seguintes. Embora não haja muitos números sobre uma causa-consequência direta entre estas festas e os acidentes vasculares cerebrais ou enfartes, o problema da obesidade está a colocar-se cada vez mais em Portugal e em quase todo o Mundo. A diabetes é a melhor prova de uma doença crónica, arrasadora para quem a sofre mas também quanto às despesas que faz suportar ao Serviço Nacional de Saúde.
Nesta edição pedimos aos membros do Barómetro Saúde JN alguns conselhos para atenuar os efeitos da quadra. Há uma resposta-padrão: o problema não é o Natal ou o Ano Novo, são todos os outros dias. "O melhor mesmo seria evitar excessos durante o resto do ano, para poder prevaricar um bocadinho nesta altura e saborear, com toda a família, as delícias do Natal" diz, Isabel Vaz. Deve acrescentar-se a isto a necessidade de algum exercício físico e, como diz Manuel Antunes, "ser feliz e fazer os outros felizes é um bom antídoto para quase tudo".
[perguntas]
[1] Depois do Hospital de São João, o Santo António é considerado o melhor hospital do país. Comentário.
[2] Qual o melhor conselho a seguir para evitar problemas (coração e acidentes vasculares cerebrais) ligados aos excessos da quadra natalícia?
[respostas]
Miguel Guimarães, presidente da Conselho Regional Norte da Ordem dos Médicos
[1] É uma distinção positiva. Confirma a elevada competência técnica e humana existente no Hospital de Santo António, continua a valorizar o Norte e reconhece a qualidade da gestão hospitalar liderada por médicos.
[2] Sem fundamentalismos, é importante manter um equilíbrio nutricional, emocional e físico, moderando o consumo de álcool, evitando os excessos calóricos e o consumo de aperitivos salgados e doces. Festejar sempre, mas com contenção, é a recomendação para um feliz Natal.
Manuel Antunes, cirurgião torácico e professor da Universidade de Coimbra
[1] De facto, a ordem não foi esta, mas não há campeonatos nacionais de hospitais e tem havido classificações para todos os gostos, dadas por diferentes entidades, e eu não quero entrar nessa discussão, que não serve nenhuma finalidade.
[2] O Natal é festa e estes fatores não contam nas festas! De todo o modo, evite exageros extremos, faça algum exercício e, sobretudo, viva a quadra com felicidade, Ser feliz e fazer os outros felizes é um bom antídoto para quase tudo. Feliz Natal.
Maurício Barbosa, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos e professor da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto
[1] Parabéns! Reconhecidamente, são dois hospitais com elevado desempenho e equipas motivadas e dedicadas à missão do Serviço Nacional de Saúde.
[2] Hábitos de vida saudáveis, incluindo uma alimentação equilibrada, devem constituir uma prática permanente e quotidiana. Um certo excesso, se pontual, como na quadra natalícia, poderá ser tolerado. Obviamente, as pessoas com doenças crónicas, em especial os diabéticos e os hipertensos, devem fazê-lo com um pouco menos de excessos.
Nuno Sousa, diretor do curso de Medicina da Universidade do Minho
[1] Estes índices, que valem o que valem, demonstram que a população da região (em particular das áreas diretamente que estas instituições servem) deve ter confiança na qualidade da prestação de cuidados de saúde.
[2] Moderação e exercício. Ou seja, que se moderem nos "excessos" e que se "mexam". Já agora, que tenham um Natal e um 2015 cheio de saúde!
Paulo Mendo, antigo ministro da saúde
[1] É muito difícil classificar hospitais como se fossem atletas de competição, mas são de louvar os esforços que vários organismos fazem, analisando e seriando, por qualidade, sempre discutível bem sei, os nossos tão necessários hospitais públicos. Toda a minha vida profissional, de quase 40 anos, foi feita neste hospital, no hospital do meu coração. Daí a minha satisfação.
[2] Em tudo meio-termo e moderação, alegria e bom gosto. E um excesso não é alegre nem de bom gosto!
Purificação Tavares, médica geneticista, CEO CGC Genetics
[1] Os vários criterios de avaliação têm salientado a grande qualidade dos hospitais portugueses, o que é muito relevante e deve ser reconhecido.
[2] O problema não reside nos excessos entre o Natal e o Ano Novo, mas sim os excessos entre o Ano Novo e o Natal, mais crónicos e prolongados...
António Ferreira, presidente do conselho de administração do Hospital de S. João
[1] No mesmo ano, os dois maiores hospitais do Norte e vários outros nas diferentes categorias aparecem na liderança nacional na prestação de cuidados de saúde.
[2] Moderação.
Isabel Vaz, presidente da comissão executiva da Espírito Santo Saúde
[1] A Região Norte continua a mostrar ser mais capaz de aproveitar melhor os recursos disponíveis na Saúde, em relação ao resto do país. Mas não só. Gostaria de realçar o facto de os hospitais públicos PPP, designadamente o Hospital de Loures e o Hospital de Braga, terem ficado, mais uma vez, em lugar de destaque.
[2] O melhor mesmo seria evitar excessos durante o resto do ano, para poder prevaricar um bocadinho nesta altura e saborear, com toda a família, as delícias do Natal.
