Um ano após o estabelecimento do protocolo com a Universidade Técnica de Lisboa, para a concepção de um mega parque urbano na Mata do Paraíso, em Vialonga, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira apresentou ontem, formalmente, o projecto da autoria do arquitecto paisagístico Sidónio Pardal.
Para estarem concluídas num horizonte temporal de 10 a 20 anos, as obras de construção iniciam-se no início de 2007 e começarão por ser desenvolvidas dentro de um espaço circunscrito, dando a sensação que o parque cresce dentro dele próprio. Serão ainda aproveitadas as árvores existentes, que neste momento estão a ser contabilizadas.
Os 24 hectares que compõem a Mata do Paraíso são propriedade da Obriverca, empresa de construção civil, para onde chegou a ser apresentado um projecto urbanístico entretanto rejeitado por abranger a Reserva Agrícola Nacional na várzea de Vialonga.
«Como o Plano Director Municipal não permite a construção nesta área, a Câmara acordou com o seu proprietário permitir um aumento de construção na Quinta do Duque», adiantou a presidente da autarquia, Maria da Luz Rosinha, referindo-se a uma zona a sul do futuro espaço verde e onde a promotora imobiliária Predimo - do grupo Obriverca -, edificou alguns armazéns. Aliás, edifícios que levaram, em 2002, o jurista camarário João Castro Neves a considerar que estavam a ser violadas regras do PDM ainda em vigor. Parecer ignorado pelo então vereador do Urbanismo, Ramiro de Matos, ao permitir a emissão das licenças de construção dos armazéns.
Cerca de 5,8 milhões de euros serão investidos no parque urbano, que terá uma entrada principal e duas secundárias, uma rede de zonas de estadia, pequenos anfiteatros e pequenas espécies arbóreas que marquem as áreas dentro parque. Disporá ainda de um estacionamento nas imediações, com capacidade para 300 viaturas ligeiras e autocarros.
Tendo como base o Parque da Cidade do Porto, junto ao bairro de Aldoar, também projectado por Sidónio Pardal, o arquitecto pretende que o espaço funcione como requalificação de uma área conhecida pelos bairros sociais envolventes e problemáticos. «A população de Aldoar nunca estragou nada no parque; em Vialonga, se o parque merecer o respeito das pessoas também nunca será destruído», defende o projectista.
Flamenga protesta
Cerca de 20 moradores da urbanização Quinta da Flamenga, também na freguesia de Vialonga, aproveitaram a apresentação do projecto da Mata do Paraíso para mostrar publicamente o seu descontentamento pela falta de conclusão de um parque urbano junto às suas habitações, que chegou a ser apontado como um grande investimento em espaços verdes no concelho. «Comprámos as nossas casas com a garantia de que a autarquia iria construir um grande parque verde», acusou Fernando Dias, porta-voz do recém-criado Movimento Jardim-Parque Urbano da Quinta da Flamenga. Já estão habitados 80 dos 92 prédios previstos na urbanização - uma das maiores do concelho, com 800 fogos -, mas a execução do parque urbano da responsabilidade da Câmara nunca avançou e a autarquia admite reformular o projecto, tendo em conta o investimento de que carece.
