
At The Drive In
Pedro Correia/Global Imagens
Não é por acaso que na capa do novo disco dos At The Drive-In, "Inter Alia", está estampada a imagem de um mabeco, cão selvagem da savana africana que, em grandes matilhas, consegue afugentar leões - é que o som da banda de El Paso, no Texas, tem a mesma ferocidade do canídeo, parecendo capaz de despedaçar todos aqueles que se atravessem no seu caminho.
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Na segunda noite de Paredes de Coura, o vocalista Cedric Bixler terminou o concerto a pedir paz e amor no mundo mas, entretanto, deixara um rasto de destruição no palco e nas primeiras filas do plateia.
Ao som de guitarras ácidas e de uma bateria desembestada houve redemoinhos entre o público, poeira a subir a encosta, seguranças a funcionarem como guarda-redes na captação dos corpos que faziam "crowd surfing". Bixler nem sequer pareceu em grande forma, com o rosto inchado e movimentos que já foram mais desenvoltos, mas a descarga dos At The Drive-In continua tão explosiva como há dez anos.
Registo totalmente diferente foi o dos Timber Timbre, que atuaram ao final da tarde no palco Vodafone FM. Se para os At The Drive-In se pedia espaço amplo, quanto mais não fosse para se poder fugir do "mosh" mais agressivo, os Timber Timbre exigiam um espaço de câmara e um certo recolhimento. Porque o som destes canadianos é demasiado complexo e delicado para um lugar de multidões. O palco secundário de Coura pareceu, no entanto, insuficiente para albergar todos os interessados neste projeto que evoca referências como Tom Waits, Tuxedomon ou Killing Joke.
O quarteto liderado por Taylor Kirk (camisa com padrões de chita e penteado à Hare Krishna) constrói paisagens obscuras, por vezes sinistras, mas não é exatamente uma banda "dark". A tensão é rasgada pela voz suave de Kirk e a sonoridade é demasiado rica para ser guardada numa gaveta gótica ou industrial. Daí que a designação "freak folk", usada por alguns sites de música, dizendo muito pouco, tem a virtude de manter em aberto o significado dos Timber Timbre, banda que se espera ver com mais frequência em terras lusas.
