
Filipe Amorim/ Global Imagens
Nome mais aguardado desta 23.ª edição do Super Bock Super Rock, os Red Hot Chili Peppers tiveram lotação esgotada em noite de reencontro com o público português e foram recebidos em apoteose pelos 20 mil fãs que encheram o Meo Arena.
Ausentes dos palcos portugueses há onze anos, os Red Hot Chili Peppers deixaram saudades nos fãs, que se apressaram a esgotar os bilhetes para o primeiro dia de Super Bock Super Rock com meses de antecedência. Durante a tarde desta quinta-feira, não restavam dúvidas de que a romaria, engalanada de t-shirt ao peito, se fazia apenas para os ver.
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Quando faltavam poucos minutos para a banda californiana entrar em palco, o Meo Arena completamente lotado fervilhava em contagem decrescente para os ver subir ao palco. A trupe de Flea, Anthony Kiedis, Chad Smith e Josh Klinghoffer começou a aquecer os motores com uma "jam" de baixo, guitarra e bateria, antes de o vocalista Anthony Kiedis aparecer em palco para dar o tiro de partida com "Can't stop".
A sala explodiu de entusiasmo e nos balcões não sobrou ninguém sentado. "Snow (Hey oh)" e "Dark necessities" mantiveram o ritmo cardíaco do público acelerado, com telemóveis ao alto para tentar captar as movimentações que eram projetadas nos ecrãs circulares que adornavam o palco.
Contrariando a tendência dominante no universo pop/rock, aqui o mestre de cerimónias não é Kiedis, mas Flea. O baixista é o homem que interpela o público, dá as boas-noites e rasga o palco com o talento delirante que é sobejamente conhecido. Entre as canções, interlúdios em que os músicos mostram toda a sua mestria, com Flea a desenhar círculos com a cabeça enquanto dedilha furiosamente o baixo, fazendo parecer fácil conjugar essas duas atividades.
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Retirada do disco homónimo que ajudou a dobrar o milénio, "Californication" foi celebração certa, num alinhamento que fez questão de percorrer as mais de três décadas de carreira da banda. Do passado mais longínquo foi resgatada "Nobody weird like me", do disco "Mother's milk" (1989); dos anos 90 não faltaram "Suck my kiss" (1991) e "Aeroplane" (1991); e dos anos zero a muito celebrada "By the way" (2002), a abeirar-se do encore.
Canções à medida das várias gerações de fãs que encheram o Meo Arena, apesar de para muitos ter faltado "aquela". Aquela como "Under the bridge", "Scar tissue" ou "Around the world", numa gestão de expectativas difícil para um público que se deveria situar entre os 15 e os 50 anos.
Para o final de uma hora e meia de espetáculo, o grupo reservou "Give it away", o sucesso do disco "Blood sugar sex magik" (1991), responsável pela ascensão da banda ao estrelato. A despedida teve direito a "paz e amor, sempre" e ao baterista Chad Smith, já sozinho em palco, a colher os últimos aplausos do público.
Antes, os Capitão Fausto gozaram de casa cheia neste regresso ao Super Bock Super Rock. A banda que no ano passado fez com que largas dezenas ignorassem Iggy Pop, no palco principal, e se deleitassem com o seu rock solarengo mesmo ao lado passou para o palco dos "crescidos" e saiu vitoriosa.
O grupo de Tomás Wallenstein trouxe para palco o último trabalho, "Capitão Fausto têm os dias contados" (2016), do qual se ouviram canções como "Os dias contados", "Corazón" ou "Semana em semana". Nas filas da frente, havia muito mais do que gente a marcar lugar para os cabeças de cartaz da noite.
