
Suspeitos tiveram lucros entre 11 mil e 208 mil euros
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O Ministério Público acusou 46 arguidos de burla qualificada e associação criminosa, num processo relacionado com a compra de produtos publicitados na internet, sobretudo automóveis.
A Procuradoria-Geral Distrital do Porto refere, em comunicado, que entre os crimes imputados aos arguidos se contam ainda falsificação de documentos, extorsão, abuso de confiança, condução sem habitação legal, detenção de arma proibida e recetação.
De acordo com a acusação, os arguidos organizaram-se em grupo, no qual sete deles integravam um núcleo "preponderante, decisor e líder".
Suspeitos conseguiram lucros entre 11 mil euros e 208 mil euros
"Assim organizados, de meados de 2013 a outubro de 2015, repartindo tarefas entre si, selecionaram anúncios de venda colocados em plataformas digitais da internet, contactaram os vendedores manifestando o seu interesse na compra e encontraram-se pessoalmente com eles, convencendo-os a consumar o negócio", refere a nota da Procuradoria.
Nesta fase, os "compradores" anunciavam que iam dar ordem de depósito bancário do preço da compra na conta do vendedor, mas faziam-no depositando cheques inválidos, de terceiros, que nunca obtinham cobrança.
No entanto, assim conseguiam que figurasse no extrato bancário do vendedor, logo após o depósito, o respetivo montante como saldo contabilístico.
"Deste modo, lograram apoderar-se dos bens, quando os vendedores crentes na honestidade do negócio lhos entregavam, sem pagar o preço", lê-se ainda na nota da Procuradoria.
Posteriormente, os arguidos, de posse dos bens, geralmente veículos automóveis, vendiam-nos a terceiros ou encaminhavam-nos para serem desmontados e vendidos às peças, "embolsando, em qualquer caso, o respetivo preço".
O Ministério Público pediu ainda que os arguidos fossem condenados a pagar ao Estado o valor da vantagem que obtiveram com a prática dos crimes, vantagem que varia entre os 11 mil euros, no caso do arguido com menor benefício, e perto de 208 mil, quanto àquele que mais lucrou.
Três arguidos aguardam julgamento "privados de liberdade".
No total, os arguidos respondem por 124 crimes.
