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Médico suspenso

Comandos foram privados de água e castigados com flexões

Comandos foram privados de água e castigados com flexões

Os militares detidos no âmbito da investigação à morte de dois recrutas saíram em liberdade e ficaram sujeitos a termo de identidade e residência. O capitão-médico foi suspenso.

Após interrogatório judicial, esta sexta-feira, todos os arguidos foram libertados, somente sob termo de identidade e residência, e apenas o médico Onofre Domingues ficou suspenso de funções no Regimento de Comandos e em unidades de saúde militares. Está indiciado por dois crimes de homicídio por negligência.

Os arguidos Ricardo Miguel dos Reis Rodrigues, Nuno Miguel Jesus Pinto, Hugo Miguel de Almeida Pereira, Miguel Cândido Pereira Espinha Domingos de Almeida foram indiciados pela prática de um crime de ofensas à integridade física graves negligentes.

Um dos castigos impostos aos instruendos do 127.º Curso de Comandos era a privação de água, segundo destaca o despacho do Ministério Público, que fundamentou a operação Dante da Polícia Judiciária Militar.

De acordo com a versão apresentada pela procuradora Cândida Vilar, a privação de água ocorreu logo na madrugada de dia 4 de setembro, num acumular de situações que resultaram na morte de Hugo Abreu e Dylan Silva, por desidratação e falta de assistência. Dylan não teve água ainda durante a madrugada.

Os 67 instruendos chegaram ao Campo de Tiro de Alcochete pela meia-noite. Fizeram uma marcha de uma hora, em três grupos. E, conforme destaca o despacho de Cândida Vilar, os instruendos do 1.º Grupo (de Graduados), do qual fazia parte o 2.º Furriel Hugo Abreu, beberam quatro tampas de cantil - cerca de um terço de uma garrafa de 33 centilitros -, à exceção de um Alferes e um 1.º Sargento, que não tinham água no cantil por terem sido castigados.

Mas, quando um aspirante instruendo pediu para dar água aos camaradas, o sargento Ricardo Rodrigues, um dos detidos na operação Dante, ficou furioso com a pergunta e ordenou aos instruendos que executassem flexões como castigo.

Mesmo quem não estava de castigo, não teve direito a água. Foi o caso do 3.º grupo, do qual fazia parte o soldado Dylan Silva. Este conjunto de privações não estava previsto no "Guião da Prova".

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