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Mulher "mata" os filhos dos outros fingindo que são seus

Mulher "mata" os filhos dos outros fingindo que são seus

"Tremi toda quando vi a lápide com a fotografia e o nome do meu filho naquela sepultura na Maia".

Com revolta, Cristina Carvalho, que reside nos arredores do Porto, conta como Mary (nome fictício), uma mulher que conheceu no Facebook, a convenceu a deixar-se fotografar com o seu filho, António (nome fictício), de cinco anos, que sofre de leucemia e depois usou as imagens e a história do menino nas redes sociais. Com os pormenores macabros de dar conta da morte e cremação da criança em Inglaterra e de ter mandado colocar uma lápide no jazigo de família, no cemitério de S. Pedro de Avioso, na Maia.

"Quando percebi, ela estava a publicar fotos de António na sua conta pessoal do Facebook, mas dizendo que o filho era dela e falando da doença com os detalhes que ouvira da minha boca, gerando uma onda de compaixão em seu redor", contou Cristina, que não se conformou e, na passada sexta-feira, chamou a GNR ao cemitério.

No jazigo da família de Mary estava uma singela lápide, com a foto, o nome de António e a frase "António meu anjinho" que a GNR da Maia apreendeu e enviou para tribunal. Lápide que foi fotografada e divulgada no Facebook. Aliás, Mary também mostrou imagens de uma caixa, onde alegadamente estariam as cinzas do menino.

"Filha" no Dubai

Cristina Carvalho contou que conheceu Mary durante os tratamentos do filho no IPO do Porto.

"Encontrei uma página dela no Facebook, em que dizia ter uma filha muito doente no Dubai e com fotos da menina. Senti-me solidária com a dor daquela mãe. Fui acompanhando a página, fiz alguns comentários e começamos a trocar mensagens. Até que, 15 dias depois de termos começado a falar, a "filha" morreu e isso aproximou-me mais", relatou.

Segundo conta, Mary pediu então para conhecer o pequeno António no IPO. E logo na primeira visita levou-lhe alguns presentes. Gerou-se alguma empatia entre as duas e Cristina Carvalho não estranhou que a amiga lhe pedisse para ser fotografada com o filho, pois "dizia que era para mostrar aos empregados".

Ia ver o menino ao IPO à sexta--feira, numa rotina que se prolongou durante três meses.

"Quando percebi o que estava a acontecer ela deixou de aparecer. Mas continuei a ver montagens nas redes sociais com uma foto do meu filho e de uma menina. Apresentei logo queixa na GNR do local onde resido. Quando soube da lápide queixei-me na GNR da Maia", disse.

Mas Cristina Carvalho não vive descansada. "Tenho medo que alguém o leve. Só eu é que vou buscá-lo ao infantário", disse.

A protagonista da história não quis falar ao JN. Remeteu-nos para a advogada, cujo nome não forneceu e para uma queixa que apresentou na GNR, por alegados telefonemas ameaçadores que tem recebido.

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