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PJ faz buscas no Estádio da Luz por tráfico de cocaína

PJ faz buscas no Estádio da Luz por tráfico de cocaína

Um indivíduo que Polícia Judiciária referencia como diretor de departamento do Benfica foi apanhado com 9,5 quilos de droga em carro do clube.

A Polícia Judiciária fez buscas em instalações do Benfica, no Estádio da Luz, e deteve um indivíduo referenciado pelos investigadores como sendo diretor do Departamento de Apoio aos Jogadores encarnados, que viajava num automóvel do clube e tinha em seu poder 9,5 quilogramas de cocaína. A operação policial ocorreu no final de julho, no culminar de oito meses de investigação da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, mas passou publicamente despercebida.

Questionado ontem à noite pelo JN, o diretor de comunicação do Benfica, João Gabriel, quis declarar "apenas que é um problema da justiça com o cidadão José Carriço. Nada a ver com o Benfica", sublinhou. A brevidade desta primeira reação do clube não deverá impedi-lo, entretanto, de ir mais além na sua defesa, alegando, concretamente, que José Carriço já não era funcionário nem diretor do Departamento de Apoio aos Jogadores do Benfica quando foi detido.

Para o Ministério Público de Sintra, que é titular do inquérito criminal, e para os investigadores da UNCTE, é clara a ligação de José Carriço ao Benfica. A investigação, que inclui escutas telefónicas, atribuir-lhe-á funções de liderança no departamento que ajuda os novos jogadores do Benfica em questões burocráticas ou logísticas, como arranjar casa e carro, e proximidade ao presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

Colombianos na Luz

A investigação foi iniciada no final do ano passado e, neste período, incluiu ações de vigilância. Em mais de uma dezena de ocasiões, terá sido registada a entrada de cidadãos de nacionalidade colombiana no Estádio da Luz, a pretexto de reuniões e encontros com José Carriço, consideradas relevantes para a investigação. Segundo as informações recolhidas pelo JN, aquelas entradas faziam-se pela porta n.º 18 do estádio, o que inspirou os investigadores da PJ na escolha do nome da operação concretizada no final de julho: Porta 18.

Nesta operação, José Carriço foi detido na A1 (Autoestrada n.º 1). Seguia com outro indivíduo num automóvel do Benfica, tendo-lhes sido apreendidos 9,5 quilogramas de cocaína. Ao mesmo tempo, inspetores faziam buscas no gabinete ocupado por José Carriço no Estádio da Luz.

Prisão preventiva para dois

Num lacónico comunicado emitido uma semana depois pela PJ - que não identificava os suspeitos nem a sua entidade patronal, como é regra, e foi ofuscado pelo comunicado emitido pela mesma Polícia no dia anterior para anunciar a apreensão de 491 quilos de cocaína -, anunciava-se que a operação policial tinha logrado "desmantelar um grupo organizado dedicado ao tráfico de cocaína".

"A organização criminosa em causa, composta por indivíduos portugueses, dedicava-se à importação de produto estupefaciente para território nacional desde a América do Sul, por via aérea", acrescenta o comunicado, referindo que os dois detidos tinham 54 e 58 anos e, por decisão de um juiz de instrução criminal, tinham sido sujeitos a prisão preventiva.

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