Vinte anos após o incêndio, há ainda um prédio que permanece com as marcas do fogo e que pertence actualmente à Câmara de Lisboa. Do edifício situado na Rua do Crucifixo salvou-se apenas o rés-do-chão, que acolhe o restaurante Palmeira.
Maria do Rosário Carapinha, proprietária da casa com meio século de existência, confessa estar saturada do impasse. "Queremos melhorar o restaurante e não podemos fazer obras", queixa-se.
O prédio do Palmeira não é caso único. O plano de reconstrução do Chiado, a cargo do arquitecto Siza Vieira, não está ainda acabado. Há um pátio com entrada na rua Garrett que não vai dar a lado nenhum, mas que em breve fará a ligação ao Convento do Carmo. A Câmara de Lisboa já pediu ao arquitecto para avançar com a intervenção no papel.
Do novo Chiado renascido das cinzas surgiu uma nova dinâmica, mas falta-lhe vida, sobretudo à noite. "Em zonas pouco habitadas não há o detector humano para os incêndios na sua fase inicial. Isso pode ser perigoso", alertam os bombeiros Arnaldo Martins e Joaquim Fonseca.
Ainda assim, consideram que está mais seguro. O Grandella era um edifício antigo, com paredes em alvenaria, tectos estucados e diversas divisórias em tabique e madeira. Não tinha detecção nem extinção automática de incêndio.
O incêndio do Chiado e, mais tarde, nos Paços do Concelho, marcaram o fim de uma era. A prevenção passou a ser uma prioridade com regras definidas desde a construção de edifícios.
No incêndio da Avenida da Liberdade, ocorrido há pouco mais de um mês, valeu a prontidão dos bombeiros, o terreno plano e um prédio novo a servir de barreira, contam os bombeiros. "Os carros que estacionámos na Rua da Glória ajudaram a dominar tudo o que era fagulhas", frisam.
