Animais

Cão que atacou criança estava mal ensinado, diz o Rottweiler Clube

Cão que atacou criança estava mal ensinado, diz o Rottweiler Clube

"Falta de respeito com o próximo", "negligência" e "ato criminoso", diz o presidente do Rottweiler Clube em reação ao ataque de um cão desta raça a uma criança num jardim em Matosinhos.

"A lei em vigor obriga qualquer dono a passear o seu cão na via pública à trela, qualquer cão", começa por frisar, ao JN, Cláudio Nogueira, presidente do Rottweiler Clube de Portugal, ouvido a propósito do ataque, terça-feira, de um cão desta raça a uma criança de quatro anos, em Matosinhos.

"A lei específica sobre raças potencialmente perigosas, na qual se inclui o rottweiler, obriga a passeio com trela e açaime, como medida complementar", acrescentou.

"O episódio que ontem [terça-feira] lamentavelmente voltou a acontecer é um problema da nossa sociedade de falta de respeito com o próximo, evidencia negligência, na minha opinião é um ato criminoso", defendeu.

Quem vive e trabalha nas imediações do local onde ocorreu o ataque à menina de quatro anos, contou que era habitual ver o cão no jardim a ser passeado sem trela nem açaime, mas que "nunca fez mal a ninguém".

"Crianças são um alvo fácil"

Cláudio Nogueira, dono de rottweilers há quase 20 anos, explica que o problema está antes da "negligência/consequência".

"Os detentores de cães em geral, e de rottweiler em particular, estão mal informados sobre a educação, socialização e controlo de obediência do cão. Um cão que não está apto a estar em sociedade, perante qualquer situação anómala sente receio e reage", referiu ao JN.

O dirigente do Rottweiler Clube refere que "um cão reage por medo ou porque tem instinto de presa, por isso correm atrás de automóveis, bicicletas... atrás do que se move. As crianças são um alvo fácil".

"Um cão que está mal socializado, ao ver uma criança a correr ou a gritar, primeiro pensa em agarrar e, se tiver instinto de presa, pensa que há desafio e luta, por isso morde", esclareceu.

Neste sentido, Cláudio Nogueira sublinha a importância de os donos terem em conta três requisitos no crescimento do seu cão: educar, socializar e treinar o controlo de obediência. "90% dos donos não cumprem", garante.

Os donos "não adotam ou compram um cão em função da sua personalidade mas do seu aspeto estético", lamenta. "Antes de adotar é preciso conhecer as características do animal para mais tarde não ser surpreendido com um comportamento indesejado com o qual não consegue lidar ou controlar", alerta Cláudio Nogueira. "No caso de um cão mais possante, com mais força, a consequência é maior. Deve haver garantias de treino, educação e socialização, recorrendo a escolas de treino", insiste.

"Os donos devem conhecer a lei, que obriga a passear com trela, e no caso das raças potencialmente perigosas, o açaime como medida complementar e um seguro de responsabilidade civil", concluiu.

Recomendadas

Conteúdo Patrocinado

Outros conteúdos GM