Referendo

O Reino vai continuar Unido à Europa dos 28?

O Reino vai continuar Unido à Europa dos 28?

Britânicos decidem esta quinta-feira se permanecem na União Europeia. Sondagens indicam luta renhida entre "Brexit" e "Bremain".

Finalmente. Os britânicos decidem esta quinta-feira se o Reino Unido continua como membro da União Europeia (UE), num referendo que se espera participado - a Comissão Eleitoral prevê uma adesão próxima dos 80% - e disputado, com a média das várias sondagens a beneficiar a permanência com 51% das intenções de voto, por contraponto aos 49% do "Brexit".

É o princípio do fim de um processo que nasceu em 2013, quando o primeiro-ministro, David Cameron - apoiante do bloco europeu -, prometeu realizar um referendo sobre a permanência do país no grupo dos 28, caso fosse reeleito nas eleições do ano passado e após uma renegociação da relação com a UE, cujo acordo foi obtido em fevereiro deste ano.

Se a campanha foi pontuada por radicalismos vários - de ambos os lados -, nada pode ser comparado à absoluta insensatez do assassínio da deputada trabalhista Jo Cox, pró-permanência, há uma semana, numa cidade do norte de Inglaterra, por um homem com problemas psiquiátricos e ligações à extrema-direita. Desde então, as sondagens favoráveis ao "Bremain" recuperaram a pujança que as semanas anteriores lhe tinham subtraído. A morte como ponto de viragem? Logo se saberá...

De qualquer forma, a votação acontece num momento complicado para a Europa e é um teste político para Cameron, que se deverá ver forçado à demissão se perder.

Previsivelmente, foi a possibilidade de "Brexit" que consubstanciou os discursos mais alarmistas. E de uma pluralidade de proveniências assinalável. Governo, patronato e sindicatos, grandes e pequenas empresas, multinacionais e organizações internacionais (G7, G20, OCDE, FMI, BCE e OMC, entre outras) advertiram, de forma regular, que uma saída levaria à desvalorização da libra, ao aumento dos impostos, de taxas alfandegárias, de taxas de juro e de preços; à estagnação e à perda de competitividade. Isto só no plano económico.

Para Cameron e demais defensores do "Bremain" - entre eles, quase todos os restantes Estados- membros da UE e os Estados Unidos, o milionário Richard Branson, o físico Stephen Hawking, o músico Bob Geldof e o ex-ministro das Finanças grego Yanis Varoufakis -, permanecer nos 28 é, também, a melhor forma de garantir a segurança e a estabilidade no país, na UE e na NATO, num contexto marcado pela ameaça do terrorismo em que a cooperação policial e judicial são decisivos.

Dólares no plano de bancos centrais

Do lado do "Brexit", a campanha foi liderada por Nigel Farage - do partido nacionalista UKIP - e pelo ex-presidente da câmara de Londres e possível sucessor de Cameron na liderança do Partido Conservador, Boris Johnson. Na luta, contaram com cinco membros do Governo; o fundador do Wikileaks, Julian Assange; os atores John Cleese e Michael Caine, os músicos Roger Daltrey e Bryan Adams e o jornal mais vendido no país, "The Sun". O norte-americano Donald Trump, putativo candidato republicano à Casa Branca, também divulgou a simpatia pela causa.

Argumentam que a UE impõe demasiadas restrições às empresas e cobra demasiadas quotas sem dar grande coisa em troca, além de impedir o país de controlar as suas fronteiras e travar a entrada de migrantes em massa. Opõem-se, ainda, ao princípio de uma integração europeia crescente, que, julgam, levará à criação dos "Estados Unidos da Europa".

Independentemente, do que hoje acontecer, a silhueta do "day after" já vai ganhando contornos. Os presidentes das principais instituições europeias vão reunir-se amanhã, em Bruxelas, enquanto o Parlamento Europeu pondera realizar uma sessão extraordinária no próximo domingo.

Já o Banco Central Europeu, a Reserva Federal dos EUA e o Banco do Japão começaram a discutir uma ação concertada de injeção de liquidez em dólares, em caso de "Brexit".

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