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Países da NATO gastaram 2,42% do PIB em despesas militares

Países da NATO gastaram 2,42% do PIB em despesas militares

Os países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) consumiram, no ano passado, quase 900.500 milhões de dólares norte-americanos em despesas militares, ou seja, 2,42% do Produto Interno Bruto (PIB) total.

Aqueles custos, tendo em conta os preços de 2010, registam uma quebra de 1,5% em termos de variação real em relação ao ano anterior, quando foram despendidos com a Defesa 2,51% do PIB global, segundo o relatório na NATO publicado ontem.

Os dados referem-se a 27 dos 28 membros da Aliança Atlântica, uma vez que a Islândia, tendo subscrito o tratado em 1949, não possui Forças Armadas.

A quebra levou o secretário-geral do bloco militar, Jens Stoltenberg, a dramatizar o apelo aos membros da Aliança Atlântica para que reforcem os respetivos orçamentos em despesas militares, de modo a aproximá-los do objetivo fixado na cimeira de 2014: 2% do PIB de cada país, o que acontece por enquanto, em cinco membros.

O apelo foi feito no mesmo dia em que os Estados Unidos da América (EUA) pediram à NATO que estude a possibilidade de disponibilizar aviões-radar para apoio a operações da "coligação internacional" por si liderada na Síria, o que faz temer uma nova escalada militar na região e um maior envolvimento da Turquia.

Grécia gasta 2,46%

Segundo o relatório, os países europeus, que têm vindo a diminuir globalmente as suas despesas militares, abrandaram a queda em 2015, mas alguns - incluindo Portugal - subiram significativamente a percentagem do PIB empregue.

Lideram a subida a Lituânia (+31,9%), o Luxemburgo (+25,3%) e a Polónia (+21,7%), mas são de destacar os aumentos na Grécia (+10,1%) e Portugal (+8,6%), apesar da crise que os afeta nos últimos anos. Portugal, com 2491 milhões de dólares gastos em 2015, ou seja, 1,39% do PIB.

Em plena ameaça de expulsão da Zona Euro, a Grécia afirmou-se como o membro da NATO com a segunda maior percentagem da riqueza criada no país afeta a despesas militares, com 2,46%, tendo gasto 4265 milhões de euros.

Recorde-se aliás que a tentativa de redução do orçamento militar helénico foi um dos pontos essenciais das divergências entre a Comissão Europeia e o primeiro governo de Alexis Tsipras.

Em terceiro lugar está a Polónia, com 2,18% do PIB, com uma despesa militar de 38.836 milhões de euros. Note-se que este país está a pedir a pedir à NATO o amento de meios e de tropas no seu território, de forma "o mais permanente possível".

"Defesa coletiva"

Jens Stoltenberg, citado pelas agências internacionais, disse que o bloco militar admite "um certo aumento da presença militar", equacionando maior capacidade de projeção de forças em caso de necessidade e declarando estar de parte fazer regressar a NATO à "postura da Guerra Fria", com centenas de milhar de soldados nas fronteiras.

Na apresentação do relatório, Stoltenberg quis aliás deixar um recado aos países europeus, fazendo-lhes notar que estes sustiveram a queda das despesas militares em apenas 0,3%, que o mesmo é dizer "praticamente zero", enfatizou, e que os EUA sozinhos asseguram 72% do total da despesa NATO.

É neste quadro que emerge, entre outros teatros de operações, a situação na Síria, expressamente invocada pelo secretário-geral da NATO, que Stoltenberg alega estar envolvida no maior reforço da "defesa coletiva" desde o fim da Guerra Fria e que aquela "não é grátis".

Em termos absolutos, os EUA são o aliado com a maior despesa militar, cifrada em 649.931 milhões de dólares no ano passado (3,62% do PIB), seguindo-se o Reino Unido (59.699 milhões, correspondentes a 2,07% do PIB), a França (43.864 milhões, com 1,80% do produto), a Alemanha (39.743 milhões, ou 1,18% da riqueza) e a Itália (18.271 milhões, com 0,95%).

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