
Membros de um conselho tribal, acusados de assassinarem a rapariga, foram a tribunal
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Uma rapariga paquistanesa de 16 anos foi envenenada e queimada viva por ajudar uma amiga a fugir com namorado. Mais de uma dúzia de pessoas foram detidas, incluindo a mãe da vítima.
Sufocada, envenenada e queimada viva. Foi este o destino de Ambreen, 16 anos, após alegadamente ter ajudado uma amiga e o namorado a fugir.
Alguns locais viram carrinhas queimadas na manhã de 29 de abril e encontraram o corpo da rapariga numa delas.
Segundo a polícia em Abbottabad, Paquistão, o crime foi uma "morte de honra", ordenada por um concílio tribal, ou Jirga. "A ordem veio depois da vizinha da Ambeer, Saima, ter fugido com o namorado, no dia 22 de abril", disse o agente da polícia, Khurram Rasheed.
Pelos menos 13 membros da "Jirga" foram presos, incluindo a mãe e o irmão da vítima. Os familiares teriam conhecimento e concordado com a sentença a aplicar à rapariga. Os membros da "Jirga" estiveram presentes num tribunal, na quinta-feira, acusados de assassinato e terrorismo.
De acordo com o chefe da polícia Saeed Wazir, membros da Jirga terão raptado e levado Ambeer para um local abandonado, fora da vila, onde a injetaram com veneno e lhe cobriram o corpo com petróleo. A vítima terá sido queimada na mesma carrinha que a amiga usou para fugir.
As "Jirgas" são frequentemente usadas como meio de resolução de conflitos locais, ainda que as suas decisões não tenham cobertura legal.
Segundo a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, mais de 1100 mulheres foram mortas pelos familiares no último ano, sob o pretexto de desonrarem a família. "Este tipo de mortes são formas de afirmar domínio", explicou Saroop Ijaz, um advogado de direitos humanos a trabalhar no Paquistão.
O Paquistão ocupa o 147.º lugar de 188 países no índice de Igualdade de Géneros das Nações Unidas, devido aos baixos níveis de saúde, educação e estatuto económico das mulheres.
